Victoria Falls, 21 (AE-AP) - Líderes do sul da áfrica endossaram nesta sexta-feira (21) o modo como o presidente zimbabuano Robert Mugabe está lidando com as violentas ocupações de fazendas da minoria branca e pedindo fundos internacionais para promover a redistribuição de terras no país.
"Mugabe está negociando com ambos, os fazendeiros e os veteranos, e isso tem produzido boas respostas", afirmou o presidente moçambicano, Joaquim Chissano, em Victoria Falls, após o encontro com Mugabe e os presidentes Thabo Mbeki, da áfrica do Sul, e Sam Nujoma, da Namíbia.
"Pedimos a todas as partes que se acalmem e levem adiante o diálogo que têm mantido, porque estão a caminho de uma solução."
Chissano, que qualificou Mugabe de "mestre do Estado de Direito", afirmou que os governos ocidentais, particularmente o da Grã-Bretanha, deveriam cumprir a promessa que fizeram numa conferência de 1998 de financiar a reforma agrária no Zimbábue.
"Os países contribuintes têm de cumprir seus compromissos."
Mbeki reforçou o recado: "O problema central neste caso é o do fornecimento de recursos que permitirão o processo de instalação (dos negros), que todos estão de acordo em iniciar."
Os invasores, liderados pela associação dos veteranos da guerra de independência, alegam estar tentando libertar o campo em um país onde 4.000 brancos possuem um terço das terras produtivas.
Já a oposição a Mugabe considera as ocupações um movimento político orquestrado pelo presidente para influir nas eleições parlamentares previstas para maio.
Já foram invadidas cerca de mil fazendas desde fevereiro. Dois fazendeiros brancos, um policial e um lavrador negro estão entre os mortos. Vários fazendeiros e empregados já foram severamente espancados.
Muitos brancos fugiram de suas fazendas e o governo de Mugabe aprovou uma lei estipulando que eles devem pedir indenização à Grã-Bretanha, não às autoridades zimbabuanas.
Antes do encontro sobre a violência no Zimbábue, os quatro dirigentes reuniram-se com líderes de Uganda e Ruanda para discutir a guerra na República Democrática do Congo (ex-Zaire), para onde Mugabe mandou tropas para ajudar o governo a combater rebeldes apoiados por forças ruandesas e ugandesas.
Um porta-voz zimbabuano disse que os dirigentes fizeram grandes avanços para o fim do conflito, contribuindo para criar clima para o deslocamento de uma força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Congo.

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