São Paulo, 25 (AE) - Sem conseguir avançar em quaisquer dos pontos de reivindicação apresentados, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) reuniram-se, hoje, com os secretários estaduais de Justiça, Belisário dos Santos Júnior, e da Segurança Pública, Marco Vinício Petreluzzi. Os representantes do governo disseram que o Executivo nada pode fazer sobre a libertação dos seis integrantes do MST presos por participar da depredação de um pedágio em Boituva, em novembro do ano passado.
Até o fim da tarde, a coordenação estadual do movimento também não tinha notícias sobre a revisão do convênio entre o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O secretário de Justiça havia se comprometido a entrar em contato com o Ministério de Política Fundiária e do Desenvolvimento Agrário. O convênio, firmado no início de 1999, previa a cooperação entre as duas instituições para tornar mais ágil as vistorias e desapropriações em São Paulo.
Acampados na Praça Túlio Fontoura, na frente do Obelisco do Ibirapuera, desde quinta-feira, os sem-terra querem pressionar o governo e o Poder Judiciário a libertar os companheiros presos. Segundo o MST, cerca de 200 pessoas, provenientes de acampamentos e assentamentos de várias regionais do Estado, especialmente de Sorocaba e Matão, participam da ação. "Vamos pensar em algumas atividades no sentido de denunciar a prisão injusta dos seis", disse o representante da Direção Nacional do MST, Delweck Matheus.
A coordenação do movimento alega que não há razão para que os militantes não respondam ao processo em liberdade. Não há previsão de quanto tempo o acampamento será mantido. Depredação - Em 11 de novembro do ano passado, cerca de cem integrantes do MST participaram do ataque a um pedágio no Km 11 da Rodovia Castelo Branco, no município de Boituva. Eles retornavam de uma manifestação, em Sorocaba, do Dia Nacional em Defesa do Emprego e do Brasil. Homens encapuzados incendiaram quatro cabines de cobrança.
Durante a investigação, a polícia prendeu seis sem-terra e informou que tinha provas da participação do grupo no ataque. As fitas gravadas pelas câmeras de segurança das cabines não ajudaram na identificação de outros envolvidos. Um está detido em Tatuí, um em Itapetininga e outro em Porto Feliz. Os outros três, encarcerados na Cadeia Pública de Sorocaba, iniciaram, na quinta-feira, uma greve de fome.
Os protestos pela libertação dos presos começaram no dia 18. Cerca de 200 militantes do MST fizeram um protesto na frente do Fórum Distrital de Boituva, onde corre o processo judicial.

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