Líderes do MST ameaçam organizar ondas de invasões
Agência Estado
A coordenação regional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) está pessimista quanto ao resultado do julgamento dos 150 policiais que participam do confronto de Eldorado do Carajás. Dependendo da sentença dada aos três primeiros réus, o MST pretende organizar uma onda de ocupações, principalmente em regiões próximas a Belém. O movimento está recrutando pessoas desempregadas na periferia de Belém para reforçar suas fileiras. - Não estamos otimistas que alguém será condenado, diz o coordenador do MST no Pará, Raimundo Nonato de Souza.
Segundo ele, o julgamento pode ser uma farsa. Já o coordenador jurídico do movimento, Ney Strozake, afirma que o fato de o juiz Ronaldo Valle ter recusado a distribuir credenciais aos familiares dos 19 sem-terra mortos em Eldorado do Carajás, pode influenciar os jurados. Isso foi uma manobra do juiz para diminuir a pressão sobre os jurados. A presença das viúvas, era uma forma de pressão e a possibilidade de condenação, diz.
Apenas quatro das 15 viúvas das vítimas do massacre viajaram para Belém. Todas elas sabem que não poderão assistir ao julgamento, mas irão fazer vigília na porta do auditório da Unama. Francinete dos Santos, viúva de Robson dos Santos, é a única delas que mantém alguma esperança de que os oficiais serão condenados. Ela dorme na mesma barraca com as outras viúvas e os filhos, todos em condições precárias, como os demais 500 sem-terra acampados desde sábado em Belém.





