Líderes discutem Terceira Via em Florença
São Paulo, 19 (AE) - Florença, a histórica cidade dos mestres da Renascença e de Maquiavel, um dos fundadores da teoria política, recebe neste fim de semana um pequeno grupo de visitantes ilustres, entre eles os presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso e os primeiros-ministros Massimo D´ Alema (Itália), Tony Blair (Grã-Bretanha), Gerhard Schroeder (Alemanha) e Lionel Jospin (França). Eles vão a Florença especialmente para participar de uma conferência denominada "O Governo Progressista no Século XXI".
Fernando Henrique, único chefe de governo da América Latina presente, definiu o encontro como "uma reunião de algumas pessoas que se têm preocupado com o modo de governar melhor, que atenda a uma equidade social, atenda melhor à população, mantenha a democracia e o desenvolvimento". O que parece unir os participantes, a despeito de suas eventuais diferenças de visão política e estilo de governo, é o velho problema econômico da distribuição.
Trata-se de encontar maneiras de conciliar políticas de crescimento com justiça social e superar os impasses do debate político entre esquerda e direita tradicionais, tendo como pano de fundo um mundo globalizado, que exige a redefinição do papel do Estado e de outras instituições sociais defasadas em relação às transformações econômicas das últimas décadas.
"A experiência mostra que os governos e os mercados podem falhar", escreveu o primeiro-ministro Tony Blair, no jornal italiano La Repubblica. "Não devemos voltar para as políticas fracassadas dos anos 70, mas trabalhar por políticas macroeconômicas estáveis e finanças públicas saudáveis." Blair salienta, porém, que os partidos social-democratas não podem abandonar sua crença fundamental na justiça social e na liberdade.
A posição de Blair e de outros participantes da reunião é chamada de Terceira Via, que pode ser vista como um tipo de reação às mudanças provocadas em todos os países do mundo pela nova economia e pela era da informação, impulsionada pelo desejo de renovação de políticos social-democratas, após o colapso da União Soviética. Não há unanimidade sobre o nome Terceira Via, usado pelo sociólogo inglês Anthony Giddens, assessor de Blair. O cientista político Eduardo Kugelmas, da USP, afirma que a Terceira Via " é mais um estado de espírito de lideranças políticas intelectuais, oriundas da antiga esquerda européia, procurando definir um espaço político-ideológico". Para ele, os defensores dessa idéia diferenciam-se do conceito clássico de social- democracia dos anos 30 aos 80.





