Sorocaba, SP, 04 (AE) - A vereadora áurea Aparecida Rosa (sem partido), que recebeu denúncias de irregularidades cometidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), decidiu reunir lideranças políticas e sindicais dos municípios paulistas de Itapeva, Itararé e Itaberá para discutir a questão. Do encontro, programado para o dia 9, deverá sair um dossiê a ser entregue à Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo. O superintendente Luiz Moraes Neto disse hoje que após receber o documento será instaurada sindicância para apurar se o MST desvia recursos públicos e discrimina assentados de outros movimentos.
Iolando Batista Veiga e José Carlos Duarte, do Movimento dos Assentados Individuais (MAI), entidade dissidente do MST que tem o apoio de 50% dos agricultores da Fazenda Pirituba, fazem acusações graves a líderes do MST. Dizem que eles usam politicamente verbas do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera), prejudicando assentados de outros movimentos. Afirmam que o MST cobra comissões sobre os repasses do Procera e mostram recibos de pagamento que seriam referentes a 3% dessas verbas.
Veiga e Duarte afirmam que as lideranças cobram multas de quem se recusa a participar de atos e confiscam dos assentados que abandonam o movimento recursos do fundo de reserva das cooperativas, além de excluí-los do repasse do segundo teto do Procera e do programa de finanancimento das casas.
Nega - O coordenador do MST Delweck Matheus, integrante do Conselho Estadual do Procera, diz que as denúncias são "improcedentes". Ele explica que os integrantes do movimento costumam fazer contribuições voluntárias, nos moldes das contribuições sindicais, e todos recebem comprovante. "A maior parte da receita do MST é formada por essas doações." Em relação à multa por ausência em manifestação, Matheus informa que isso não existe, mas explica que, muitas vezes, os assentados coletam dinheiro para financiar despesas com passeatas.
"Não estamos preocupados com essas denúncias", diz Matheus, ao explicar que o poder público é que institui as regras dos repasses do Procera e do programa de habitação. "Os programas são próprios para cooperativas", informa, ao explicar que o MAI não é cooperativa. Se a sindicância, que será criada pelo Incra após a formalização da denúncia, confirmar as acusações, o Incra vai instaurar inquérito disciplinar para punir os servidores responsáveis.

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