Emerson Cervi
De Curitiba
Presidentes de duas entidades representantes de transportadores autônomos no Paraná trocaram acusações ontem. Eles disputam o espaço como porta-vozes dos caminhoneiros paranaenses de formas diferentes. Enquanto o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), entidade tradicional, defende a definição de um novo plano de obras para as rodovias que compõem o Anel de Integração, a Associação Paranaense União Brasil Caminhoneiro, fundada em agosto, exige uma redução dos valores das tarifas de pedágio. Seus dirigentes ameaçam com paralisação dos transportadores se a exigência não for atendida.
A União Brasil Caminhoneiro, representada no Paraná por André Felisberto, quer o pedágio em R$ 1,00 por eixo ou a redução pela metade do número de eixos computáveis. ‘‘As concessionárias não estão recuperando as estradas e por isso elas deveriam suspender as cobranças até retomar a obra’’, defende. No Estado de São Paulo, a União Brasil Caminhoneiro marcou uma paralisação para o dia 12 de dezembro, próximo domingo, caso o governo não reduza os valores do pedágio em rodovias paulistas. ‘‘Estamos analisando a possibilidade de aderir a essa paralisação do Estado vizinho’’, afirmou Felisberto.
O presidente do Sindicam, Diumar Cunha Bueno, discorda desse tipo de manifestação. ‘‘Há mais de um ano houve uma redução de 50% nas tarifas cobradas no Paraná e pretendemos negociar com o Governo a elaboração de um plano de obras que mantenha os atuais valores’’, diz. ‘‘Em nada justifica uma paralisação nesse momento, pois certamente não trará benefícios à categoria.’’
Segundo Felisberto, há muito tempo o Sindicam deixou de representar os transportadores autônomos. ‘‘Nossa entidade nasceu para diminuir a exploração dos caminhoneiros e eles estão se associando à União por livre escolha’’.
Diumar Bueno definiu o presidente da União Paranaense como ‘‘pseudo-liderança’’. ‘‘Trata-se de um agenciador de cargas, profissão historicamente repudiada pela maioria dos caminhoneiros’’, conta. ‘‘Ele está tentando induzir a categoria a fazer paralisação logo em uma época de grande oferta de fretes’’. Felisberto confirmou que tem uma empresa de agenciamento de fretes. ‘‘Mas até 1970 eu trabalhei como caminhoneiro’’, completou.

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