Líderes devem responder hoje às declarações de FHC
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 22 (AE)- As atenções, no Congresso, estarão voltadas hoje para as declarações dos líderes dos partidos da coalizão governista em resposta ao desabafo público do presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou estar "no limite da tolerância" em relação às pressões dos aliados para aumentar seus espaços de poder no governo. Ontem, o presidente do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), foi cauteloso e não passou recibo, afirmando desconhecer os motivos da expressão ("no limite da tolerância") usada pelo presidente
que se declarou insatisfeito também com a "paralisia do Congresso" nas últimas semanas, conforme relatou o articulador político do governo, ministro da Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB-MG).
A paralisia é consequência das sucessivas crises entre os aliados. Crises que o presidente do PMDB considera artificiais. "Pode estar havendo dificuldades aqui e ali, mas não há nenhuma crise", sustenta Barbalho.
Temer-De qualquer forma, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deve dar uma resposta ao recado do presidente hoje, ao chegar da Europa. Pelo tom esboçado ontem por seu substituto no cargo, Heráclito Fortes (PFL-PI), que considerou as críticas do presidente inoportunas, a resposta de Temer pode dar sequência à "temporada de crise da semana". Por outro lado
o adiamento do retorno do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que também está na Europa e só voltará a Brasília na próxima semana, pode ser providencial para se evitar um novo choque institucional. Magalhães vinha trocando insultos com Temer por causa da reforma do Judiciário e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, em razão das liminares em que o STF contraria decisões das CPIs em andamento no Senado.


