Paulo Pegoraro
De Cascavel
Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná denunciaram ontem em Cascavel a existência de ‘‘milícias’’ que estariam concentradas nas proximidades de acampamentos em fazendas do município e que poderiam agir em eventuais despejos. Segundo a denúncia, os ‘‘jagunços’’, em grupos de dez ou 15, estariam fazendo constantes disparos em direção aos acampamentos e restringindo a circulação, inclusive de agricultores, por estradas da região. Segundo os sem-terra, a Polícia Militar teria conhecimento da existência dos grupos mas não interfere.
O relato foi feito por Lucimara Andrade, 19 anos, Márcio Konrad, 21, e Araídes Duarte, 24 anos, coordenadores do MST no acampamento da Fazenda Bom Sucesso, onde estão 400 famílias sem terra, desde agosto. A seis quilômetros, na Fazenda Refopas, há outro acampamento (desde maio) com igual número de famílias. Há ordem de reintegração de posse das propriedades – ambas com cerca de 500 alqueires. Na primeira fazenda, em agosto, já houve conflito entre homens armados pelos fazendeiros e acampados. As famílias mantêm vigilia permanente.
O major Avelino Novakoski, subcomandante do 6º BPM, que coordena ações na questão fundiária na região, reagiu à denúncia. ‘‘Os sem-terra estão sendo irresponsáveis. Até agora ninguém veio aqui relatar nada. Somos profissionais, não compactuamos com ilicitudes e, aliás, eles cometem o primeiro ilícito, a invasão’’, disse. O major quer que o MST identifique policiais que teriam contatos com os ‘‘jagunços’’ e que sejam apontados homens armados pelos fazendeiros sem que tenham autorização para isso. Novakoski revelou que já foram encontradas pessoas armadas mas de forma legal, com a finalidade constitucional de garantir que as propriedades não sejam violadas, por isso a PM ‘‘nada pode fazer’’.
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