Líderes de rebelião em Franco da Rocha são transferidos
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 07 (AE) - Terminou hoje, por volta das 8 horas, a rebelião iniciada ontem (06) à noite, na penitenciária de Franco da Rocha, a 40 quilômetros de São Paulo. Os presos acusam a segurança do presídio de mau-tratos e exigiam tratamento melhor. Os rebelados tomaram oito reféns, mas nenhum deles foi ferido. O movimento acabou após a Tropa de Choque ocupar o presídio. Vinte detentos foram transferidos.
O motim começou por volta das 18 horas de domingo, após a visita. Segundo o coordenador dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado, Lourival Gomes, um pequeno grupo - de cerca de 20 presos - iniciou a rebelião. Armados com pedaços de ferro os presos tomaram os reféns e quebraram vidros e fechaduras. De acordo com Gomes, momentos antes do início do motim funcionários descobriram em uma das celas brocas e uma corda, que poderiam ser usadas em uma tentativa de fuga.
Maus-tratos - Um dos padres que acompanham os presos contou que há muitas reclamações sobre maus-tratos. "Eles dizem que são tirados das celas durante a noite para apanhar, reclamam por não receber roupas, sapatos e se queixam da maneira como as visitas são tratadas."
Embora haja queixas, Gomes disse que as reivindicações não foram levadas a ele, que negociou com os detentos durante cerca de 14 horas. "Pedi que me apresentassem alguém que tivesse apanhado e ninguém se apresentou", contou. "Eles não me levaram nenhuma reivindicação plausível; foi mais uma baderna do que um movimento reivindicatório."
Celulares - Durante as negociações, Gomes disse que os presos lhe pediram apenas a presença da imprensa e aparelhos de telefone celular. Como o coordenador negou os pedidos, quatro detentos foram espancados pelos rebelados. Diante disso, Gomes determinou a invasão da penitenciária pela Tropa de Choque da Polícia Militar, hoje pela manhã.Os detentos libertaram os sete reféns que ainda estavam em seu poder - um foi libertado durante a madrugada - e foram submetidos a uma revista.
A Penitenciária Mário de Moura e Albuquerque foi inaugurada em outubro do ano passado, com capacidade para 852 detentos. Na noite em que começou a rebelião havia 856 presos. Esse é um dos presídios que o governo do Estado construiu para "aliviar" as delegacias.
Transferências - Com o fim da rebelião, 20 detentos - que teriam iniciado o motim - foram transferidos para outras penitenciárias. O coordenador afirmou que esses presos responderão a inquéritos e devem ser processados. No presídio de Franco da Rocha deve ser aberta uma sindicância para a verificar problemas com a segurança. "E eles vão reconstruir o que destruíram", afirmou Gomes, sobre os danos causados às instalações.


