São Paulo - A Polícia Civil indiciou três coordenadores do MLSM (Movimento de Luta Social por Moradia) pelo incêndio que provocou o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, centro de São Paulo, e terminou com sete mortos e dois desaparecidos. Conhecida como "prédio de vidro", a edificação de 24 andares ruiu no dia 1º de maio, há exatos nove meses.

Apontados como líderes dos sem-teto, Nireudes de Jesus Oliveira, Hamilton Coelho Resende e Ananias Pereira dos Santos vão responder em liberdade por crime de incêndio, conforme informou o site G1. Segundo o Código de Processo Penal, a pena máxima prevista é de seis anos de prisão. Para a Polícia Civil, eles poderiam ter evitado riscos do incêndio, que seria previsível. Em depoimento, todos negaram que tivessem responsabilidade sobre a invasão.

O relatório foi entregue ao MPE-SP (Ministério Público Estadual) no dia 15 de outubro. Ele é assinado pelo delegado Roberto Krasovic, então titular do 3.º Distrito Policial (Campos Elísios), que assumiu o inquérito já com a investigação em curso. Em nota, o MPE-SP afirma que ainda espera outras diligências antes de oferecer denúncia.

Segundo investigadores, a principal hipótese é de que o incêndio foi provocado por um curto-circuito no 5º andar do edifício. A tese tem como base depoimento da sem-teto Walkiria Camargo do Nascimento, que morava onde o fogo teria começado. No local, um microondas, uma geladeira e uma televisão estavam conectados a uma mesma tomada, que explodiu. À polícia, moradores do Wilton Paes de Almeida afirmaram que a energia elétrica vinha de um "gato", um conexão irregular com um semáforo.

A precariedade continuava mesmo com os moradores pagamento "aluguel" ao MLSM. A cobrança da taxa, que variava entre R$ 100 e R$ 400, é alvo de inquérito do Deic (Departamento de Investigações Criminais), que também corre sob segredo de Justiça.

Em depoimento prestado em maio, Nireudes negou que fosse responsável por arrecadar taxa. "Tinha um grupo de mulheres que se reunia para discutir o que precisava ser arrecadado para, por exemplo trocar uma pia, um chuveiro, e a gente fazia uma espécie de vaquinha. Não tinha aluguel ou taxa", declarou na época.

Por sua vez, Ananias Pereira dos Santos e Hamilton Coelho Resende negaram que exerciam cargo de liderança do MLSM. "Não sou líder do movimento, só ajudo as pessoas", disse Ananias, na ocasião. A reportagem entrou em contato com a defesa dos indiciados, mas não obteve retorno.

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