Curitiba - O governo do Paraná confirmou ontem que 38 líderes de facções criminosas que cumpriam pena em regime fechado em várias unidades prisionais do Estado foram transferidos para as penitenciárias federais de segurança máxima de Mossoró (RN) e Porto Velho (RO) na manhã de ontem. O grupo viajou em aviões cargueiros da Força Nacional de Segurança. As aeronaves decolaram do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). A transferência foi realizada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e pela Polícia Federal (PF).
"Os órgãos monitoraram ligações, contatos, e identificaram que talvez começariam a ser empreendidas no Paraná ações parecidas com aquelas ocorridas em Santa Catarina. Naquela ocasião a segurança do Estado estava em alerta'', destacou o governador Beto Richa, na manhã de ontem.
Ele ressaltou que a maioria dos detentos transferidos estavam na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, mas não soube precisar a quantidade. Em todo Estado existem 13 unidades de regime fechado: quatro em Piraquara; duas em Cascavel; e uma em Londrina, Maringá, Cruzeiro do Oeste, Francisco Beltrão, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Guarapuava.
Além disso, o governador ressaltou que o secretário de Segurança, juntamente com o comando da PMPR e a chefia da Polícia Civil, estiveram reunidos com as autoridades do Estado vizinho para acompanhar a situação e, de alguma maneira, se preparar caso ações parecidas fossem desencadeadas no Paraná.
"Nos antecipamos a qualquer ocorrência e conseguimos transferir estes líderes do crime organizado. Ontem mesmo entrei em contato por três vezes com o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) para agilizar estas transferências'', completou o governador.
O secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, informou que a medida tomada ontem foi resultante de um trabalho desenvolvido pelo Departamento de Inteligência da Sesp em coordenação com o Setor de Inteligência da PF. De acordo com ele, foi detectado movimentos anormais dentro do sistema prisional do Estado. "Identificamos internos que estavam um tanto quanto mais ativos no sentido de promover ações fora dos estabelecimentos penais. Em função disso, nos espelhando no que aconteceu em alguns Estados, resolvemos nos antecipar, por isso solicitamos esta transferência. Foi um trabalho que vinha sendo feito há uns 15 dias. Não existem ordens específicas, mas movimentos que fogem da normalidade'', afirmou.

Ocorrências
Vasques descartou que as ocorrências envolvendo ônibus queimados nas cidades de Arapongas e Londrina, nos últimos dias, tenham sido decorrentes de ordens de dentro das prisões. Ele antecipou que foram atos de vandalismo isolados e que os suspeitos já estão sendo identificados.
Da mesma forma, ele também destacou que não se pode atribuir as mortes de agentes penitenciários na capital a estas transferências.
A Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), e o Departamento de Execução Penal (Depen) foram procurados, mas informaram que somente a Sesp iria falar sobre as transferências.

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