Líderes das duas Coréias marcam cúpula histórica
Seul, 10 (AE-AP) - Antes duras adversárias, a Coréia do Sul e a Coréia do Norte anunciaram hoje (10) que seus líderes irão promover uma reunião de cúpula em junho, marcando o maior avanço diplomático em meio século de conflito.
O encontro entre o presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, e seu colega nortista, Kim Jong Il, será o primeiro entre os líderes dos dois estados desde que a Península Coreana foi dividida entre o norte comunista e o sul apoiado pelos EUA em 1945.
Entretanto, obstáculos persistem. A agenda das conversações ainda tem de ser decidida e os dois lados estão muito distantes em várias questões de peso, como o estacionamento permanente de 37 mil soldados americanos na Coréia do Sul para protegê-la contra qualquer ameaça do Norte.
Em anúncios simultâneos, Seul e Pyongyang afirmaram que as duas Coréias concordaram em realizar uma reunião de cúpula de 12 a 14 de junho em Pyongyang a fim de promover trocas, reconciliação e unificação pacífica. Os dois lados travaram uma guerra de 1950 a 1953 e nunca assinaram um tratado permanente de paz.
"O acordo é uma oportunidade de trazer desenvolvimento e prosperidade para a nação e garantir a esperança de paz na Península Coreana", disse o presidente sul-coreano, segundo o porta-voz presidencial Park June-young.
Park afirmou que Kim ficou surpreso que a empobrecida Coréia do Norte, que há muito denuncia a Coréia do Sul como um fantoche dos EUA e vinha rechaçando apelos por conversações de alto nível
tenha concordado tão rapidamente com sua proposta de uma cúpula.
O acordo seguiu-se a uma série de contatos secretos na China, assim como declarações otimistas de autoridades sul-coreanas.
"Os dois lados decidiram promover contatos preliminares a fim de discutir assuntos de procedimento" no final deste mês para preparar a cúpula, divulgou a nortista Agência Central de Notícias Coreana.
O anúncio provavelmente será um impulso para o governista Partido Democrático do Milênio, da Coréia do Sul, antes das eleições parlamentares de quinta-feira. O partido vem perdendo popularidade por causa da corrupção e outros escândalos.
O presidente Kim tem estado sob forte pressão interna para apresentar resultados em seus esforços apoiados pelos EUA para promover contatos econômicos, culturais e outros com o isolado Norte.
Ele tem perseguido a chamada política "luz do sol" apesar de periódicas crises com Pyongyang, incluindo um enfrentamento naval em 1999 no Mar Amarelo e o teste de lançamento de um foguete do Norte sobre o Japão em 1998.
Críticos têm dito que Pyongyang vem desviando ajuda humanitária da Coréia do Sul e dinheiro de joint ventures com companhias sulistas para as forças armadas às custas de milhões de norte-coreanos que têm sofrido escassez alimentar por anos.
O anúncio teve boa repercussão na ásia. Em Tóquio, o ministro do Exterior Yohei Kono lembrou que o Japão frequentemente exortou as Coréias a se reunirem e tentar alcançar uma paz duradoura.
"Esperamos que a cúpula seja realizada conforme o planejado. Esperamos muito que o diálogo entre o norte e o sul amenize as tensões bilaterais", acrescentou.
A China, que há muito é o principal aliado da Coréia do Norte na região, saudou a cúpula e anunciou que a apóia.
Zhu Bangzao, porta-voz do Ministério do Exterior da China, disse esperar que o encontro possa alcançar resultados positivos.
Rivais na época da Guerra Fria, as Coréias jamais realizaram um encontro em nível de chefia de Estado e de governo. Autoridades do primeiro escalão mantiveram conversações em 1991 e assinaram um "acordo básico" em busca da melhoria dos laços mútuos. O acordo, porém, nunca foi implementado.
Em 1994, o fundador da Coréia do Norte, Kim Il Sung, e o então presidente sul-coreano Kim Young-sam planejaram uma reunião de cúpula, mediada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter. O encontro, porém, foi cancelado quando Kim Il Sung morreu. Seu filho, Kim Jong Il, assumiu então o poder.
A península coreana permanece oficialmente em guerra, uma vez que o conflito travado entre 1950 e 1953 terminou em um armistício, que nunca foi substituído por um acordo de paz. A fronteira entre os dois países é fortemente armada e 37 mil soldados americanos estão estacionados no Sul para evitar qualquer provocação por parte do Norte.





