Líderes da polícia são presos no Ceará
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Agência Estado Fortaleza 
Arquivo FolhaAcusaçõesTasso Jereissati culpou a CUT pelo confronto com os PMs do Estado A prisão do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará, Elias Alves, e do presidente da Associação de Cabos e Soldados, cabo Feitosa, não vai arrefecer o movimento grevista dos policiais cearenses por melhores salários. É o que garante o diretor do sindicato, Gerardo Farias. Não vamos nos calar, nem nos intimidar, afirma ele.
O cabo Feitosa foi preso ontem pela manhã, pelo coronel Victor Araújo, por insubordinação. Sob o comando do coronel, 30 homens do Batalhão de Choque e tropa de elite ocuparam a sede da Associação de Cabos e Soldados, onde iria haver uma reunião dos militares grevistas. O local foi isolado e, segundo o coronel Victor, o cabo Feitosa colocou o seu carro em cima dos policiais em serviço, sendo preso imediatamente.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Elias Alves, foi preso anteontem à noite, defronte à sua casa, e se encontra na sede da Polícia Federal. Os advogados do sindicato vão impetrar um habeas-corpus, mas não confiam na soltura do sindicalista. De acordo com o advogado José Moreno, a prisão teve cunho político, com o objetivo de esvaziar a greve.
O presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, José Milton de Oliveira, afirma que o comandante da Polícia Militar, coronel Mauro Benevides, foi baleado no conflito de anteontem por policiais da tropa de elite e não pelos grevistas em passeata. Ele frisa que o tiro que atingiu o comandante foi dado pelas costas quando ele se encontrava de frente para os manifestantes. José Milton também responsabiliza a tropa de elite pelo conflito.
O comandante em exercício da Polícia Militar, coronel João Batista da Silva Beleza, publicou ontem, nos principais jornais de Fortaleza, um edital de seleção, para a contratação imediata dos reservistas da Marinha, Exército e Aeronáutica, a fim de substituir os policiais militares em greve. Estamos oferecendo 500 vagas aos que tenham concluído o serviço militar entre 1995 e 1997, para o exercício da atividade policial, explicou o militar. Ontem, segundo ele, compareceram ao quartel geral da PM cerca de cem jovens.
O general Cândido Vargas Freire, secretário de segurança do Ceará, também publicou nos jornais uma nota na qual sustenta que os atos de insubordinação, indisciplina e agressão de policiais civis e militares amotinados serão repudiados pelo governo do Estado e pela sociedade. E acrescenta: O governo do Estado mantém sua firme decisão de preservar a ordem pública e garantir a segurança da população, não permitindo quaisquer atos de indisciplina e insubordinação que impliquem na quebra do respeito e à hierarquia.
O governador Tasso Jereissati acusou ontem sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores de insuflar a manifestação dos PMS cearenses que terminou em tiroteio, anteontem, em Fortaleza. Chamou os manifestantes de facção de policiais armados e bêbados.
Presidentes de várias federações, associações e lideranças empresariais do Estado divulgaram nota expressando total apoio às medidas disciplinadoras tomadas pelo governador com relação aos lamentáveis acontecimentos registrados ontem.


