Cerca de 30 líderes das comunidades distribuídas às margens da PR-151, trecho entre Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa) e Piraí do Sul, ficaram ontem esperando o governador Jaime Lerner (PFL) passar para reivindicar melhorias nos acessos a Castro construídos no trecho pela Rodonorte. Mas o governador passou de carro e não parou.
Os moradores reclamam do fechamento da passagem que existia de um lado para o outro da pista, que divide a área urbana da área rural do município. Agora, o retorno mais próximo fica a cerca de dois quilômetros. A distância não é muita para ser percorrida de carro ou até mesmo de bicicleta. O problema é que do lado da rodovia que se concentra a população da área rural, moram os trabalhadores que abastecem a cidade com leite, ovos e verduras. E o meio de transporte desses trabalhadores ainda é a carroça.
Diariamente, cerca de 30 carroças precisam atravessar a pista. ‘‘Agora atravessamos na contramão porque não dá para andar dois quilômetros de carroça na rodovia’’, conta Jussara Queiroz, que faz o trajeto, assim como a maioria dos trabalhadores, duas vezes por dia.
Outra reclamação é que para chegar na rodovia, o acesso ficou muito íngreme. As duas empresas localizadas na beira da pista do lado da área urbana, neste trecho, já não conseguem utilizar o acesso. Uma produz ração e a outra distribui combustíveis. ‘‘Os caminhões são pesados e não conseguem subir.
Estão tendo que passar por dentro da cidade para sair pelo trevo’’, conta o vereador Herculano Silva (PPB). Segundo ele, com o tráfego intenso de caminhões dentro da cidade, o pavimento das ruas centrais já está se deteriorando.
Até mesmo a Polícia Militar parece ter considerado longe o retorno. Enquanto a reportagem da Folha conversava com os moradores, uma viatura que estava do outro lado da pista resolveu voltar. Para isso, foi até o acostamento e andou cerca de 300 metros de marcha à ré, fazendo o retorno na contramão. Jussara, que dirigia a carroça ficou mais tranquila. ‘‘Se até a polícia atravessa ali, porque eu não posso atravessar’’, questionou.
O superintendente regional do Departamento de Estradas e Rodagem, Jair Romanini, explicou que a alteração nos acessos pode ser feita. Mas para isso os moradores precisam documentar a reivindicação e encaminhar ao órgão que fará os estudos de viabilidade das alterações.

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