Líderes comemoram dificuldade da oposição em apontar verbas16/Mar, 20:36 Por Christiane Samarco Brasília, 16 (AE) - Os líderes do governo deixaram hoje a comissão especial da Câmara que trata do salário mínimo comemorando o fato de os deputados estarem encontrando dificuldade para apontar fontes de recursos que possibilitariam um mínimo equivalente a US$ 100. Mais do que a pregação de austeridade e responsabilidade fiscal do ministro do Planejamento, Orçaemento e Gestão, Martus Tavares, o que agradou aos líderes governistas foi a fala do relator da proposta orçamentária da União, deputado Carlos Melles (PFL-MG). Além de concordar com o ministro, o relator confirmou a falta de alternativas de fontes de recursos capazes de financiar despesas novas como o reajuste do mínimo. "Essa busca é uma agonia", resumiu Melles. "O debate foi ótimo", avaliou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Segundo ele, os argumentos apresentados pelas oposições foram muito frágeis. "Ninguém mostrou onde está o dinheiro para bancar o reajuste." O líder governista no Congresso, senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), também festejou a "valentia" do governo que compareceu à comissão e não recusou o debate. "Inauguramos uma nova fase: luta pelo maior mínimo possível, sim, mas sem perdermos o senso da responsabilidade", disse, para concluir: "O passo seguinte à irresponsabilidade fiscal é a perda da cabeça." Até o maior aliado do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), na cruzada pelo mínimo equivalente a US$ 100, deputado Luís Antônio de Medeiros (PFL-SP), acusou o golpe. "O governo esvaziou a comissão", queixou-se, ao afirmar que o ministro chegara muito atrasado (40 minutos) e que parte dos parlamentares da comissão tinha viagem marcada para o Rio Grande do Sul no fim da tarde. Medeiros revelou a suspeita de um acordo prévio entre Tavares e Melles. "Os dois estavam combinados." Segundo Medeiros, "Melles é do PFL do Malan (ministro da Fazenda, Pedro Malan), enquanto ele é do pefelê do ACM". Os coordenadores políticos do Palácio do Planalto e a equipe econômica estão trabalhando para encerrar logo a discussão do novo salário mínimo. A preocupação é a de não criar na opinião pública expectativas de um aumento generoso porque, segundo um interlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso, as discussões no governo giram em torno de um mínimo de 150 reais, podendo chegar a, no máximo, 160. Tavares mencionou o impacto do aumento do mínimo na inflação: para cada 5 reais, 0,11% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "Um aumento para 160 reais, por exemplo, resultaria em mais 0,54% no IPCA, o que tornaria mais difícil o cumprimento das metas de inflação porque representam quase 10% da meta inflacionária fixada para 2000". O líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), contestou. Ele disse que o argumento do impacto inflacionário só se refere ao IPCA que contabiliza empregada doméstica, enquanto outros índices, como o da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), apontam deflação. "Ele está usando não um índice, mas um artifício estatístico que não traduz a inflação real", insistiu o petista ao afirmar que o número final depende de outras variáveis, como o nível de crescimento da economia, da produtividade.

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