Líderes bósnios acusados de furtar US$ 1 bilhão
Sarajevo, 17 (AE-AP) - Mais de US$ 1 bilhão em fundos públicos e ajuda internacional pode ter sido roubado por altas autoridades muçulmanas, croatas e sérvias na Bósnia, informaram hoje (17) oficiais internacionais.
O desvio de fundos públicos emergiu numa série de relatórios sobre corrupção preparada pela unidade antifraude do Gabinete do Alto Representante, afirmou a porta-voz Alexandra Stiglmayer.
"A maior parte do dinheiro que foi perdido é dinheiro dos contribuintes locais. O dinheiro foi retirado dos orçamentos. O total provavelmente é maior do que US$ 1 bilhão", disse ela.
As investigações continuam porque "a corrupção ainda é ativa", afirmou ela.
O relatório sobre corrupção é um golpe para esforços internacionais visando reconstruir a Bósnia, onde nações doadoras já despejaram US$ 5.1 bilhões desde o fim da guerra em 1995 a fim de refazer a infra-estrutura e tentar colocar em funcionamento um governo viável em todos os níveis.
Stiglmayer confirmou um artigo publicado nesta terça-feira no New York Times detalhando as descobertas do relatório. "A maior parte da informação no artigo é correta", afirmou ela, sem especificar qual seriam as incorreções.
O artigo do Times afirma que a corrupção na Bósnia é tão disseminada que agências humanitárias e embaixadas minimizam os furtos por temer desencorajar doadores internacionais.
A unidade antifraude liderada por americanos nomeou vários oficiais com laços com governistas partidos nacionalistas, acusando- os de lucrarem com as fraudes, segundo o Times. Apesar de 15 oficiais terem sido removidos pelo Alto Representante ou impedidos de exercer cargos públicos, a maioria manteve autoridade, escreveu o jornal.
O relatório, que ainda não foi tornado público, cita um incidente no qual 10 embaixadas estrangeiras e agências de ajuda internacionais perderam mais de US$ 20 milhões depositados num banco bósnio. Apenas a embaixada suíça reconheceu publicamente a perda.
Segundo o Times, a unidade antifraude está investigando 220 casos de supostas fraude e corrupção. Os fundos roubados estavam destinados à reconstrução de estradas, prédios e escolas e para oferecer serviços municipais em cidades de todo o país.





