como cooperativas. As duas propostas se enquadram dentro da linha do governo, de "profissionalizar" o setor primário. Um pacote de projetos e medidas chamado "Brasil Empreendedor Rural" foi lançado este ano com esta intenção. Por meio da criação de instrumentos de financiamento, como a CPR financeira e a permissão para que agentes estrangeiros atuem nos mercados futuros de commodities agrícolas brasileiros, o governo espera reduzir a dependência do setor de recursos oficiais. Paralelamente, o governo negocia com agentes privados a adesão ao financiamento da agricultura. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, abriu negociações com os bancos privados e comentou que as instituições pouco financiam o setor. Na semana passada, o secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, foi à sede da Febraban, em São Paulo, discutir com instituições financeiras privadas formas de incrementar sua participação no custeio de produtores. Rosa ouviu dos bancos que os 25% das exigibilidades bancárias que devem ser aplicadas na agricultura estão majoritariamente comprometidos com a negociação das dívidas de produtores. As cooperativas aceitam substituir o Banco do Brasil em operações de crédito rural a pequenos produtores, desde que sejam feitas alterações legais. A afirmação é do superintendente da OCB, Valdir Colatto. Para Colatto, as cooperativas de crédito poderão ter êxito desde que o governo permita que se tornem abertas, ou seja, que tenham autorização para captar recursos de todos os setores da economia. Atualmente, as cooperativas de crédito só podem atuar dentro da atividade-fim. "Se a cooperativa é agropecuária, só pode lidar com recursos de seus associados e ligados a esta atividade, o que limita muito o aporte", explica. Segundo Colatto, apenas 14 cooperativas no Brasil são abertas, podendo atuar em todos os setores, mas estão com prazo para se fechar. "São as cooperativas tipo Luzzatti, que poderiam ser uma boa solução para o setor." Colatto afirmou que o setor cooperativo precisará também ter acesso aos recursos de apoio governamental para financiar a produção agrícola. "Além de haver a necessidade de liberar a captação de recursos, precisaremos ter direito a receber para transferir Pronaf, FAT e outras linhas", disse. Apesar disso, a OCB é contrária à privatização do BB e sua retirada do BB das operações de crédito rural. "Ruim com o banco, pior sem ele", afirmou. Colatto afirmou que os recursos oficiais ao crédito rural são muito esparsos. "Na década de 80, chegou-se a ter até R$ 30 bilhões para a Agricultura, mas este ano o valor é de R$ 8 bilhões e apenas R$ 6 bilhões são dinheiro novo", afirmou. O presidente da CNA, Antonio Ernesto De Salvo, disse que não há surpresa na proposta de privatização e fim de operações rurais no BB. "É assunto que já se ouve pelos corredores há muito tempo", disse. O presidente da CNA disse que a entidade não é necessariamente contra a proposta. "Vai depender do que for colocado no lugar do crédito rural. Se não for nada colocado, será temerário", disse.Por Renato Stancato Brasília, 17 (AE) - Lideranças do setor agrícola viram com reservas duas propostas encaminhadas ao governo alterando o financiamento à agricultura. Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as propostas podem até redundar em vantagens ao produtor agrícola, desde que sejam complementadas por medidas de amparo ao campo. A primeira das propostas, encaminhada ao Ministério da Fazenda pela consultoria Booz Allen & Hamilton, sugere o fim das operações de crédito rural pelo BB e o fechamento de agências deficitárias do banco em pequenas cidades, para uma eventual privatização do banco. O crédito rural passaria a ser responsabilidade de um fundo do Tesouro Nacional. Os recursos seriam repassados desse fundo ao produtor por um agente financeiro privado, que receberia remuneração para isso. A segunda proposta, encaminhada pelo ex-secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, sugere que o BB se retire de operações de crédito rural com pequenos produtores. Dias argumenta que o banco acaba não atendendo bem a estes clientes, e propõe que o financiamento seja feito por pequenos agentes financeiros locais

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