Curitiba- Lideranças sindicais lançaram ontem, em Curitiba, campanha para que o Brasil ratifique a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, documento aprovado por unanimidade pelos 192 países-membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003. Aprovada pela Câmara dos Deputados, a decisão pela ratificação, com prazo até 7 de novembro, está no Senado. ''A sociedade precisa estar consciente para que haja um debate político e convencimento dos senadores'', disse o representante da Central Única dos Trabalhadores na Câmara Setorial do Fumo, Albino Gewehr.
O objetivo da convenção-acordo é diminuir o consumo de fumo mundialmente, lembrou. E 62 países já ratificaram a decisão, o que garante sua aplicabilidade, independentemente de o Brasil fazer isso ou não. ''Mas se não ratificar ficará fora das reuniões de controle e de expansão ou diminuição da produção, tornando-se território livre para as empresas'', acentuou o representante do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais do Paraná (Deser), Marcos Rochinski.
Rochinski afirmou que a convenção prevê salvaguardas para os produtores. ''Há um fundo internacional para trabalhar a conversão para outras culturas'', registrou. Hoje, há aproximadamente 198 mil famílias produzindo fumo sobretudo nos três Estados do Sul, que congregam 96% da produção. No Paraná, 10% da agricultura familiar está incluída nessa cadeia produtiva, em razão da exigência de pouca área para o desenvolvimento. ''Mas é preciso que haja uma política de conversão para culturas que alimentem a nação'', sugeriu Rochinski. ''A maioria dos que plantam fumo o faz por falta de outra oportunidade.''

mockup