Lideranças realizam encontro contra a intolerância religiosa na Concha
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sábado, 20 de janeiro de 2018
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Representantes de 15 religiões realizaram, na manhã deste sábado (20), o 3º Londrina Religiões Unidas pela Paz em Prol da Tolerância Religiosa, em comemoração ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. O evento foi realizado na Concha Acústica de Londrina, localizada na Praça Primeiro de Maio (Centro), e foi promovido pelo Conselho Municipal de Cultura de Paz (Compaz), pela Comissão de Promoção de Igualdade Racial e das Minorias da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina e pelo Grupo de Diálogo Interreligioso de Londrina (GDI).
O representante do Conselho Municipal de Cultura de Paz Luiz Cláudio Galhardi explicou que o evento é nacional e ocorre em várias cidades do Brasi. "Nesse contexto não poderíamos deixar de participar. É o terceiro ano que realizamos esse encontro e já faz parte de uma agenda do grupo de diálogo interreligioso. Mais de 15 denominações religiosas se encontram a cada dois meses na Associação Médica de Londrina para realizar esse diálogo interreligioso", destacou. Segundo ele, esse diálogo faz com que representantes de diferentes religiões tenham um entendimento das filosofias dos outros e isso gere um entendimento."
O representante da comunidade zen budista de Londrina, Marcos Vinícius Fernandes Miranda, conhecido como monge Daitetsu, destacou que a importância deste encontro é a promoção da paz entre as religiões. "Costumo dizer para os membros da comunidade zen budista que a verdade é uma grande montanha. Cada religião procura subi-la por uma trilha diferente, mas é a mesma montanha. As pessoas que não começaram a subi-la são as que ainda enxergam a diferença, que têm preconceito, que agridem e que ofendem. Os que começaram a escalada da verdade, seja de uma religião de matriz africana, seja do islamismo, do cristianismo ou do budismo, só percebem semelhanças, que são amor ao próximo, tolerância, fraternidade e caridade. Então não existe diferença significativa entre as religiões. Existem alguns pontos doutrinários, mas isso é o que menos importa", apontou. Segundo ele, quando a pessoa ofende o outro em função da sua religiosidade é fruto da ignorância. "As pessoas se conhecendo melhor têm uma visão mais iluminada da vida."
O pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia Montano de Barros ressaltou que a liberdade religiosa é uma coisa muito frágil. "A cada dia a intolerância religiosa aumenta em vários lugares da terra. Pessoas perdem a sua liberdade de escolher, de ir e vir. Perdem a sua liberdade de escolher a sua crença e de cultuar de forma correta. Estamos felizes com esse evento e estamos aqui para apoiar e participar."
As religiões de matrizes africanas também estão entre as que mais têm sofrido ataques. Segundo Vera Lúcia da Silva Francisco, Mãe Vera, é preciso haver paz entre todos. "Somos filhos de um pai só. Atualmente terreiros são incendiados e pais de santo são mortos. Queremos a paz para sermos livres. Queremos o direito de ir e vir. Se os outros têm o direito de ir e vir, por que nós não podemos?"
Para o representante da Cultura Racional do Terceiro Milênio, Jurandir Cardoso da Silva, o mundo está cada dia mais difícil de viver. "A violência está aumentando cada vez mais. A cultura racional veio aqui para dizer o porquê dessa onda de violência estar aumentando. A cultura racional é a continuação de todas as religiões, não é filosofia, não é doutrina nem é religião. Está no mundo para somar. Objetivo é trazer paz, fraternidade e amor", afirmou, ressaltando a importância do diálogo entre todos.
Após os discursos dos representantes de cada religião, todos se dirigiram à Catedral Metropolitana de Londrina, que foi alvo há duas semanas de um ataque que destruiu imagens religiosas, onde promoveram um abraço pela paz.
O Padre Romão Antonio Martini Martins relembrou que o episódio em que as imagens religiosas foram destruídas dentro da catedral foi uma atitude de quem é ignorante. "Usando a fé, essa pessoa atenta contra o próprio Deus que crê. Jesus mesmo sempre respeitou todas as pessoas, de todas as nacionalidades e de todas as religiões. Nunca discriminou ninguém. Acho muito estranho que alguém em nome dele faça isso. Existem os analfabetos religiosos. Tenho muitos amigos, pastores ou não, que respeitam e reconhecem o valor que tem no outro sem precisar de agressividade."


