Lideranças municipais esperam que o Prefeito conduza Londrina para a retomada do desenvolvimento em 2002. Mais ação é o que desejam.
No âmbito industrial, o diretor-regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Clóvis Coelho, destacou que o prefeito teve serenidade para conduzir o processo de retomada na administração municipal. ‘‘Foi importante recuperar as contas públicas, embora era esperado seis meses e acabou demorando um ano’’, afirmou. Na sua opinião, a cidade precisa de um plano de administração que atraia mais investimentos. ‘‘Saneados os problemas, agora o prefeito precisa mostrar ação’’, avaliou.
Já o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, ainda não fechou o ano de 2001 mas antecipou à Folha que os resultados da empresa – que por pouco não foi vendida pelo prefeito – deverão ser bem melhores do que os de 2000. Por outro lado, em 2002, ele garante que a Sercomtel Celular continuará competitiva. O temor de que a concorrência engula a empresa estatal, para Pereira, é relativo. ‘‘A concorrência deve vir, mas não se sabe quando. Vamos continuar investindo em qualidade e tecnologia para sermos ainda mais competitivos’’, destacou.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, reforçou que a reforma administrativa-financeira trouxe impactos positivos. Em 2002, completou, o prefeito tem que conseguir deslanchar. ‘‘Na área empresarial, nós todos precisamos estar atentos e abertos às oportunidades para atrair novos investimentos’’.
O médico neurologista que tem a mesma idade que a cidade, Lincon Brazil e Silva, de 67 anos, analisou que o ‘‘prefeito passou seriedade mas faltou mais otimismo’’. ‘‘No episódio do plebiscito para venda da Sercomtel Celular, por exemplo, ficou a impressão de que não houve representatividade. Mas acredito que foi o prefeito que não soube ler a população, a verdadeira dona da empresa’’, afirmou. Na sua opinião, as urgências são: recuperar o lago, continuar o plantio de árvores, melhorar a iluminação pública e a sinalização do trânsito para os pedestres.
O padre Silvio Andrei, assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, comentou que a administração Nedson trouxe flexibilidade e maior diálogo entre as diversas lideranças da cidade. ‘‘Está sendo uma administração íntegra, honesta e firme nos princípios’’, pontuou. Mas, segundo o padre, é preciso atenção muito grande com a segurança, criando programas que envolvam crianças, adolescentes e jovens. Outra preocupação do assessor da Igreja Católica é a questão do desemprego que, com a demissão dos trabalhadores da frente de trabalho, deve aumentar na cidade.
Seu colega, o padre Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos, da Paróquia Imaculada Conceição e membro do diretório estadual do PPS em Londrina, avaliou que ‘‘Nedson fez o possível gerencialmente, mas administrar uma cidade é muito mais que gerenciá-la. A periferia, por exemplo, foi abandonada em nome da readequação nas contas. Foi uma administração arroz com feijão’’, reclamou. O padre foi um dos mais combativos defensores da Celular na época da discussão sobre sua privatização e mantem o discurso afiado. ‘‘O prefeito queria realizar obras e precisava de dinheiro em mãos. Mas continuo convencido de que a empresa sobrevive no mercado e pode ser lucrativa’’, finalizou.

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