Luciana Pombo
De Curitiba
Onze entidades do Movimento Negro lançaram ontem, em Curitiba, um manifesto contestando as comemorações oficiais dos 500 anos do Brasil. O manifesto, com seis páginas, traz informes sobre a situação do negro desde a chegada dos portugueses no Brasil. ‘‘É um manifesto que mostra o porquê que o negro foi marginalizado. E demonstra o preconceito ainda existente na nossa sociedade atual’’, afirmou Maria de Lourdes de Souza, representante do Movimento Negro no Estado.
Ela lembrou como exemplo do preconceito o assassinato de Carlos Adilson Siqueira, supostamente assassinado por skinheads em 96, na Boca Maldita, em Curitiba. ‘‘Nossos jovens sofrem constantes ameaças de grupos de skinheads. Eles não podem sair de casa ou frequentar o centro de Curitiba com medo da violência’’, disse o coordenador do Movimento Egbé Obá Biyi, Jayro Pereira.
De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23,5% da população de Curitiba e região metropolitana é composta por negros.
As entidades, segundo Pereira, já protocolaram pedido de audiência com o governador Jaime Lerner e secretários de Estado da Segurança Pública e da Justiça. ‘‘Queremos resolver o problema de forma doméstica, dentro de casa. Mas se não conseguirmos, iremos denunciar nos órgãos internacionais’’, ameaçou.
Para sábado, entre 10 e 17 horas, serão distribuídos cerca de 5 mil jornais com o manifesto para a população, na Boca Maldita. Além dos jornais, haverá a apresentação de grupos teatrais, de dança e música.

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