Agência Estado
De Belo Horizonte
A greve nacional dos caminhoneiros que deveria ser reforçada ontem, aparentemente, teve pouca adesão. Nem mesmo os líderes do movimento sabem exatamente como está a situação no país. O presidente da União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto, informou, de Belo Horizonte, que 100 mil motoristas de todo o Brasil já teriam aderido à paralisação.
José Araújo, o China, da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), afirmou que o movimento havia recebido a adesão de 60% dos motoristas, mas não escondeu o temor de a greve ser desmobilizada hoje em função da pressão recebida por parte de sindicatos de caminhoneiros, Polícia Rodoviária e outros grupos que não apoiaram a paralisação.
China ontem já admitia uma frustração do movimento. Segundo ele, desde a greve realizada há um mês nada foi resolvido e os caminhoneiros independentes continuam ‘‘passando fome’’. Ele reclama uma decisão rápida sobre a tabela com reajustes nos preços dos fretes, a queda no preço do pedágio e do óleo diesel. China não concorda em esperar pelo prazo de 90 dias, dado como trégua, à espera de negociações com o governo federal.
A Polícia Rodoviária de vários Estados brasileiros registrou apenas pequenos focos da movimentação dos caminhoneiros, que foram dispersados rapidamente. Mas José Natan afirmava, no final da tarde, que a greve ainda não havia sido observada pelas autoridades porque os motoristas estão sendo orientados a ficar em casa.
‘‘Não paramos de receber informes de companheiros parados, de norte a sul do Brasil’’, disse o sindicalista. José Natan garantiu que a categoria não está dividida. Para o sindicalista mineiro, a greve será sentida, mesmo, na sexta-feira, quando a entidade realiza uma assembléia geral no estacionamento do Mineirão, em Belo Horizonte, para avaliar o movimento.
Nélio Botelho, que liderou a primeira paralisação, no final de julho, acusou os dirigentes da Unicam e do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros de lançar associações ‘‘de 24 horas’’ com o intuito de autopromoção. ‘‘A UBC parou o Brasil com um milhão de caminhoneiros e não há racha entre eles. Essas pessoas, agora, criaram nomes parecidos de sindicatos e estão sendo oportunistas.’’
No Paraná, o movimento foi fraco e se restringiu à região Oeste, onde a Polícia Rodoviária Federal registrou mobilização e piquetes na região de Foz do Iguaçu, na BR-277, entre Foz e Cascavel, e na PR-473, entre Cascavel e Francisco Beltrão.
Na região de Cascavel, a manifestação aconteceu na praça de pedágio próximo a Céu Azul (50 quilômetros a oeste de Cascavel). Um pequeno grupo de motoristas estacionou os primeiros caminhões no início da madrugada, nas margens da pista. No início da manhã, eles exigiram que os guichês fossem liberados pelos funcionários do consórcio Rodovia das Cataratas, concessionária do trecho, que não pôde cobrar o pedágio durante uma hora.
‘‘Tivemos a preocupação de evitar tumultos’’, disse um dos líderes da manifestação, Pedro Roberto Gomes. Por volta das 10 horas, completando o protesto, os motoristas seguiram em comboio para Céu Azul, conhecida como ‘‘cidade dos caminhoneiros’’ – porque nela residem aproximadamente 800 motoristas profissionais. A manifestação foi uma iniciativa isolada, pois não teve apoio de nenhuma entidade associativa de caminhoneiros da região.
No município de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), o protesto reuniu apenas 20 veículos e durou sete horas – das 9 às 16 horas. A manifestação se concentrou no acostamento da rodovia, sem prejuízo para o trânsito. Caminhões com cargas vivas ou perecíveis foram liberados.

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