Lideranças de trabalhadores rurais do sul do Pará não aceitam proposta do governo
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 12 (AE) - As lideranças dos trabalhadores rurais do Sul do Pará não aceitaram hoje a proposta de elevar a R$ 65 milhões o valor para aquisição de terras e a manutenção de outros R$ 48 milhões para infra-estrutura nos assentamentos, na região. Essa proposta foi apresentada pelos técnicos dos ministérios de Política Fundiária, Orçamento e Gestão e da Agricultura ao grupo que abandonou a mesa de negociações ameaçando até fechar a ferrovia Carajás em protesto ao governo.
"Vai ter muita guerra e morte na região", previu o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais do Sul do Pará, Airton Faleiro, lembrando que existem 163 fazendas ocupadas. Do total para aquisição de terra, R$ 22 milhões não seriam em dinheiro vivo, mas em TDAs que não são usadas para pagar as benfeitorias e, por isso, segundo Faleiro, desagradaria aos fazendeiros.
Faleiro contou que os latifundiários já avisaram que, se o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não garantir o dinheiro para a desapropriação, vão retirar os sem-terra de qualquer jeito das fazendas. "Nós vamos tirar vocês nem se for com pistoleiros", teriam ameaçado os fazendeiros, conforme a versão de Faleiro. "Para não morrer pelos mãos dos pistoleiros, preferimos continuar a mobilização e enfrentar o governo", desabafou o líder, que vai propor a unificação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) contra o governo.


