Lideranças criticam evento sobre terrorismo na fronteira
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - O seminário ''O Terrorismo Global e a Tríplice Fronteira: Mito ou Ameaça'', encerrado ontem em Puerto Iguazú, cidade argentina fronteiriça a Foz do Iguaçu, provocou reações diversas. De um lado, estudiosos alertaram para a necessidade de um maior controle sobre a região. De outro, políticos acusaram o evento de ser tendencioso.
Diretor do Center for the Study of Terrorism and Political Violence (centro para o estudo do terrorismo e a violência política), Magnus Ranstorp, considerou a área vulnerável devido a forte influência islâmica em Foz, Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú. Ranstorp também é professor de Relações Internacionais na Universidade de Saint Andrews, na Escócia.
Os especialistas discutiram, à porta fechada, temas como ''Globalização: terrorismo sem fronteiras?'', ''Impacto do terrorismo internacional no âmbito corporativo'', ''Terrorismo e crime transnacional organizado'' e ''Islã e terrorismo internacional: verdade ou propangada?'', ''Delitos Financeiros e sua Relação com a Tríplice Fronteira'', e ''estratégias contraterroristas''.
O evento foi promovido pelo instituto de Ranstorp e pela Security and Intellingence Advising (SIA), uma empresa israelense de segurança, que tem no Brasil seu terceiro mercador consumidor. Os dois primeiros são Estados Unidos e Argentina. Ela oferece serviços como proteção de informações e combate à explosão de bombas, sequestros e instabilidade política.
A conferência irritou o trade turístico da fronteira. O prefeito de Foz, Sâmis da Silva (PMDB), considerou o encontro ''inconsequente e desproposital''. ''É um encontro privado, sem participação e aval das autoridades do Mercosul, não reflete a realidade e é direcionado por uma empresa interessada em negócios sobre segurança'', alfinetou o peemedebista.
Sâmis lembrou que autoridades como o secretário de Estado dos EUA, Collin Powel, a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, o coordenador de antiterrorismo do Departamento de Estado, J. Cofer Black, e o secretário executivo do Comitê Interamericano Contra o Terrorismo, Steven Monblatt, afirmam desconhecer existências de células terroristas na região.
Os norte-americanos citados pelo prefeito de Foz, no entanto, afirmaram também ser necessário um controle sobre as remessas enviadas pela comunidade árabe da fronteira ao Oriente Médio. Os recursos podem cair na mão de terroristas, disse Monblatt em recente visita Foz.


