Liderança do movimento refuta acusações de viúva de Bugrão
Lúcio Horta
O presidente da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Campoense, de Tamarana, e líder do MST, Renato Reinehr, negou ontem ser o autor do disparo que matou o segurança José Lopes de Oliveira, o Django, morto em abril de 1997 na Fazenda Borborema, em Tamarana. A acusação contra ele foi levantada por Eroni Michileski Ribeiro, ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), anteontem, na sede da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina.
Fiquei surpreso com a acusação. E ficou claro que o objetivo é incriminar o MST, desviar a atenção da sociedade com relação à pressão (praticada pela PM) sobre o movimento e descaracterizar o processo de reforma agrária no Paraná, disse Reinehr.
Renato Reinehr falou na sede do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina. Ele garantiu que no dia em houve a morte na Fazenda Borborema estava no acampamento da Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, onde morava. Não participei de nenhuma ação em Borborema. Apenas visitei o acampamento de lá, afirmou. Ele também assegurou não saber quem atirou contra o segurança.
Eroni Ribeiro acusou também o movimento de ter assassinado o marido dela, João Cavalheiro Valessik, o Bugrão, morto numa emboscada no dia 17 de maio, na Fazenda Ingá.
Renato Reinehr refutou a acusação de que o assentado tenha sido morto pelo movimento. Segundo ele, Bugrão era uma pessoa violenta, sempre andava armado e há tempos tinha problemas no assentamento. Ele não admitia que seu lote na fazenda, de cerca de cinco alqueires, fosse remarcado. Reinehr explicou que 190 dos 442 alqueires foram desapropriados e será necessário fazer uma nova divisão dos lotes.
O líder do MST disse ainda que, pouco antes do crime, as famílias que estão na Fazenda Ingá tinham decidido pedir para que Valessik mudasse de acampamento. A decisão foi tomada porque ele sempre andava armado e ameaçava os vizinhos. Bugrão, segundo Reinehr, exigia uma indenização de R$ 20 mil para compensar as benfeitorias feitas no lote.
Renato Reinehr comentou ainda que depois da morte de Vasselik, os filhos dele fizeram ameaças contra lideranças do MST, acusando-as do crime. No dia da morte fui na casa dele e o Valter (um dos filhos) veio dando de dedo em riste, dizendo que eu mandei matar o pai dele e que eu ia pagar por isso, diz.
Valter responde processo por tentativa de homicídio. Sobre a acusação de que Eroni Ribeiro foi expulsa da fazenda com violência, por quatro homens encapuzados, ele respondeu que isso é coisa de jagunço, não de sem-terra.
O advogado do MST em Londrina, Gérson da Silva, disse ontem que está reunindo o material que foi veiculado na imprensa para entrar com uma ação criminal e também indenizatória contra Eroni Ribeiro e a Sociedade Rural do Paraná.





