Líder sindical quer fim da conversibilidade
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 17 (AE) - "A solução para este país é sair da conversibilidade." A declaração é do líder sindical Hugo Moyano
que com sua costumeira forma de falar direto, argumentou que é preciso que a Argentina abandone a paridade um a um com o dólar, vigente desde 1991, e que se tornou um dogma para todos os partidos políticos.
No entanto, a afirmação de Moyano, indica que fora do âmbito político, além de diversos empresários, os sindicalistas também começam a pedir o fim daquilo que por uns é visto como o triunfo da estabilidade, e por outros um apertado espartilho que asfixia a economia do país.
Moyano é o presidente do poderoso sindicato de caminhoneiros, e o mais ativo líder sindical do país. No ano passado, duas greves de caminhoneiros coordenadas por ele quase desabasteceram as principais cidades do país.
Além disso, é o preferido para ser eleito secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) nas eleições que serão realizadas em breve. Mas também pensa além de suas fronteiras, e há dois anos está articulando a criação de uma união dos sindicatos do Mercosul.
"De cada 100 caminhões que transportam mercadorias através da Argentina, ao redor de 95 são brasileiros", lamenta. "E as empresas que partem para o Brasil? Elas vão embora porque lá elas tem maiores chances pelo câmbio. Todos aqui sabem disso, mas ninguém tem coragem de dizê-lo", disparou Moyano ao jornal "Página 12".
Segundo ele, "a realidade é que não conseguimos vender sequer um quilo de arroz ao Brasil. Por mais que trabalhemos grátis, com o atual sistema cambiário, não se resolve nada".
O líder sindical considera que a reforma trabalhista não vai melhorar a situação. "A reforma é uma desvalorização indireta. Mas não é uma solução, já que mesmo que fosse aplicada continuaríamos sem condições de concorrer com o Brasil. Como vamos ter competitividade com um câmbio de dois reais por um dólar?"
Moyano sustenta que sair da conversibilidade não será fácil, mas argumenta que o Brasil "saiu da relação de um por um e não ocorreu uma hecatombe". O líder caminhoneiro não descarta que o presidente Fernando De la Rúa faça uma desvalorização em algum momento.
Referindo-se à campanha eleitoral onde De la Rúa destacava que manteria o peso igual ao dólar, Moyano argumentou: "Ele também disse que não ia aumentar os impostos e foi o primeiro que fez."


