Skopje, 26 (AE-REUTERS) - O líder do partido dos sérvios étnicos da Macedônia foi preso depois de violentas manifestações na quinta- feira em Skopje contra os bombardeios da Otan na Iugoslávia, disse hoje (26) um porta-voz do partido.
O porta-voz do Partido Democrático Sérvio (DSP) afirmou à REUTERS que o presidente do partido, Dragisha Miletic, foi detido depois dos protestos na frente de embaixadas ocidentais.
"O senhor Miletic foi até a delegacia policial para ver a situação de alguns membros do partido e manifestantes que foram presos e acabou também sendo preso", disse o porta-voz Nebojsha Tomovich.
"Não houve explicações sobre sua prisão e seu advogado não pode vê-lo", acrescentou.
As prisões ocorreram depois de manifestações na frente das embaixadas dos EUA, Alemanha e Grã-Bretanha, organizadas pelo partido para protestar contra a ação militar da Otan na Iugoslávia.
Tomovich afirmou que as prisões poderiam deflagar mais protestos entre os 40.000 sérvios vivendo na Macedônia "e milhares de macedônios que estão enojados com os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia".
Ele rechaçou acusações de autoridades ocidentais de que as manifestações foram organizadas por Belgrado a fim de voltar o povo contra a presença de cerca de 10.000 soldados da Otan na Macedônia.
"Se o governo daqui tiver alguma sanidade, ele vai libertá-lo (Miletic) imediatamente. Caso contrário, pode haver protestos que serão difíceis de controlar", afirmou Tomovich.
O governo macedônio informou que 60 pessoas foram presas depois dos protestos de quinta-feira, nos quais multidões de sérvios étnicos danificaram bastante a frente da missão dos EUA e queimaram carros antes de serem dispersos por policiais usando gás lacrimogêneo.
O hotel abrigando monitores da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), retirados de Kosovo, também foi atacado.
Centenas de policiais com equipamento antimotim cercaram hoje missões ocidentais e prédios governamentais depois que o DSP convocou uma segunda manifestação, que foi eventualmente cancelada. Alguns manifestantes na principal praça de Skopje foram dispersados pela polícia antimotim.
William Walker, o americano que lidera a missão de paz da OSCE para Kosovo, disse hoje que existem evidências de que as manifestações foram provocadas por agentes da Iugoslávia.
"Tivemos boas informações há algumas semanas dando conta que Milosevic iria provocar tantos problemas quanto possível", afirmou Walker, referindo-se ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic.
"A manifestação pode ter parecido espontânea, mas ela foi de fato bem organizada e planejada", disse ele.
Mas Tomovich negou categoricamente a acusação. "Não podíamos nem telefonar para o vizinho depois que os ataques aéreos começaram, quanto mais para Belgrado para que eles organizassem um protesto", afirmou. "Esta é a usual desinformação usada pelo Ocidente para fazer nós os sérvios parecerem criminosos".
Os 200 membros da OSCE que permaneciam em Skopje depois de terem saído de Kosovo foram retirados hoje para a cidade sulista de Orchid, cerca de 150 km de distância.
Os 10.000 soldados da Otan foram concentrados na Macedônia para formar um vanguarda da força de paz que Milosevic até agora tem recusado a deixar entrar em Kosovo.
"Os dois maiores problemas que a Macedônia enfrenta hoje são os refugiados de Kosovo e o crescente sentimento antiamericano e anti- Otan entre a população", afirmou o primeiro-ministro Ljubcho Georgievski.
O embaixador americano Christopher Hill e oficiais da Otan reuniram-se hoje com Georgievski para discutir formas de aumentar a segurança para ocidentais na Macedônia, informaram autoridades governamentais.
Cerca de 30% dos habitantes da Macedônia são albaneses étnicos, compartilhando os mesmos sentimentos separatistas de seus irmãos em Kosovo. Eles têm ajudado a abrigar cerca de 20.000 refugiados que já cruzaram a fronteira recentemente.

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