Eram 20h20 de anteontem quando a professora e líder do Movimento dos Sem-Teto de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, Benedita Machado Felício dos Santos, de 50 anos, saía de uma reunião com um grupo de famílias que moram na Vila Jamil, zona rural da cidade. Antes de chegar ao ponto de ônibus para ir para casa, em Guaianases, na zona leste da capital, Benedita foi brutalmente assassinada por desconhecidos, com três tiros na cabeça.
Há cinco anos ela, que era membro do Partido dos Trabalhadores (PT), liderava um grupo de cerca de cem famílias que ocupavam um terreno na Vila Jamil e, de acordo com os sem-teto, não teria dono. Orientado por Benedita, o grupo entrou com um pedido na Justiça para ficar com os lotes e estava pagando em juízo, até que seja identificado o proprietário do terreno. Ontem, a líder sem-teto iria começar a dar aula de História na Escola Estadual Armando Gomes de Araújo, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.
De acordo com informações dos moradores do local, na hora do crime Benedita estava sozinha, por isso, não há testemunhas para dar informações à polícia e permitir a confecção de um retrato falado dos assassinos. Muitas pessoas da região, no entanto, acreditam que possa ter sido vingança de algum proprietário de terra, pois nada foi roubado. Além disso, ela estaria recebendo ameaças.
Depois de escutar os três disparos, os moradores saíram de seus alojamentos e perceberam que Benedita havia sido baleada na cabeça. A Polícia Militar foi chamada, mas quando chegou ao local ela já estava morta. O corpo de Benedita foi levado no começo da madrugada de ontem para o Instituto Médico Legal (IML) de Suzano. Ela foi enterrada às 16 horas no Cemitério do Cambiri, em Ferraz de Vasconcelos.
O homicídio foi registrado na delegacia da cidade, mas até agora não há pistas dos autores. Nos próximos dias, a polícia irá ouvir moradores do local e parentes da professora.
Prisão Cinco trabalhadores rurais sem-terra, ligados ao Movimento de Luta pela Terra (MLT), foram presos ontem, durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, no município de Eunápolis, a 644 quilômetros de Salvador. Os sem-terra teriam resistido a ordem de despejo da fazenda de 1.617 hectares, determinada pela Justiça. Os trabalhadores rurais negam a acusação. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia (Fetagri) já ingressou com pedidos de habeas corpus em favor dos cinco sem-terra detidos.

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