Líder sem-terra é preso no noroeste do PR acusado de desacato; MST diz que houve "armação"
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 06 (AE) - Um dos líderes dos sem-terra na região noroeste do Paraná, Paulo Demarchi, foi preso hoje à tarde, em Loanda, sob acusação de desacato à juíza da comarca da cidade, Elizabeth Khater. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) afirma que a prisão foi uma "armação" e aconteceu após o sem-terra ser chamado em Querência do Norte, onde mora, para entregar alguns documentos no fórum da comarca. "Não tinha mandado de prisão", afirmou Nildemar da Silva, também líder dos sem-terra na região.
No entanto, a Secretaria de Segurança Pública disse que Demarchi estava no fórum para uma audiência, por ser um dos acusados em um processo de receptação de gado roubado. O fato teria ocorrido há uma semana quando o gado foi transferido da Fazenda Belo para a Fazenda Santo Antônio, ambas em Querência do Norte. Após a audiência, ele teria ironizado a juíza, que imediatamente decretou sua prisão temporária por cinco dias.
A informação no fórum de Loanda era de que a juíza estava em audiência e não podia atender os telefonemas. Demarchi foi levado para Paranavaí e as informações sobre sua prisão foram concentradas na Secretaria de Segurança Pública do Estado. O advogado Avanilson Alves Araújo, que atende o MST no noroeste do Estado, esteve no fórum de Loanda. Ele disse que também não conseguiu conversar com a juíza nem teve acesso aos autos de prisão. Até o fim da tarde ele não tinha conversado com Demarchi.
Denúncia - O MST voltou a denunciar hoje que centenas de policiais militares estão saindo de vários batalhões do Estado e se dirigindo para o noroeste a fim de realizar reintegrações de posse em massa. Somente em Querência do Norte há oito fazendas com reintegrações expedidas pela Justiça. A Secretaria de Segurança Pública negou que seja esse o motivo da mobilização de policiais. Segundo o secretário Cândido Martins de Oliveira, eles estão participando da segunda fase da operação de desarmamento iniciada no dia 22 de abril no noroeste e que agora se estenderá também para outras regiões.
De acordo Nildemar da Silva, os policiais que estão chegando à região "estão trazendo junto uma lista com o nome de pessoas que devem ser presas". "Mas não tem nenhuma preventiva contra os sem-terra", afirmou. A acusação também foi feita pelo coordenador do MST no Paraná, Rogério Mauro. "Achamos que vão prender mais gente", disse.
Hoje, uma comissão formada pelo coordenador da Comissão da Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, Darci Frigo, pelo deputado federal Plínio de Arruda Sampaio e pelo bispo dom Tomás Balduíno esteve na delegacia de Ponta Grossa visitando os seis sem-terra presos dia 29 durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, na região central do Estado. À noite, a comissão teria um encontro com a vice-governadora do Paraná, Emília Belinati.


