Curitiba- Visitas organizadas por uma comissão especial da Assembléia Legislativa do Paraná a fazendas ocupadas por membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nos dois últimos dias, foram alvos de críticas de um dos membros da coordenação da sigla no Estado, José Damasceno. ''As visitas são duvidosas porque o grupo de deputados que fazem parte da comissão defende os interesses dos fazendeiros. Por isso não acreditamos que a intenção seja ajudar'', afirmou.
Para o presidente da comissão, deputado estadual Elio Rusch (PFL), as visitas servirão para traçar um diagnóstico dos acampamentos e apresentar um relatório às autoridades.
O relatório deve ser concluído em 45 dias. O responsável pela produção do documento será o deputado estadual Barbosa Neto (PDT), que participou das visitas, junto com Reni Pereira (PSB) e Duílio Genari (PP). O coordenador do Centro de Apoio da Terra Rural do Ministério Público do Paraná, o procurador Wanderley Batista da Silva, também acompanhou as visitas. Ele garantiu que a comissão é formada por membros ''isentos'' e que o objetivo é encontrar uma solução. ''É preciso fazer uma intermediação para evitar confrontos'', disse.
As visitas se concentraram em quatro fazendas no Oeste do Estado - Kelli e 4R, em Cascavel; Boito, em Matelândia, e na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao Sul de Cascavel). De acordo com a assessoria do presidente da comissão, em duas fazendas, 4R e em Santa Tereza do Oeste, os parlamentares foram impedidos de entrar por integrantes do MST.
A fazenda 4R está ocupada por cerca de 850 integrantes desde agosto de 2004. Em Santa Tereza do Oeste a ocupação começou em março, em protesto contra o plantio de milho e soja transgênicos mantido pela multinacional numa área próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, unidade de proteção integral.
Na fazenda Kelli, cuja área é de 380 alqueires e onde estão acampadas 80 famílias do MST desde setembro do ano passado, não houve resistência e a assessoria do presidente da comissão confirmou que os acampados conversaram com os deputados. Em Matelândia, na fazenda Boito, a visita causou ''um pouco de resistência a princípio'', ainda segundo a assessoria, mas depois os deputados puderam entrar no local. A área da fazenda é de 700 alqueires e cerca de 420 famílias estão acampadas no local desde agosto de 2004.

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