Líder ruralista é preso por emitir cheques sem fundo
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Luiz Franciscoe Eduardo Scolese<br> Agência Folha 
Salvador - Conhecido por suas declarações radicais contra sem-terra, o presidente do Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro), Narciso Rocha Clara, foi preso segunda-feira à noite em Salvador sob a acusação de ter passado R$ 12 mil em cheques sem fundos para hotéis, lojas, agências de viagens, restaurantes e locadoras da capital baiana.
A delegada Maria Dahil Sá Barreto, 45 anos, responsável pela prisão do acusado após uma semana de investigações, disse que Rocha Clara costumava se hospedar em hotéis de luxo e pedia que todas as faturas fossem emitidas em nome do sindicato. ''Como a entidade tem registro, ninguém desconfiava de nada.''
Em junho passado, Rocha Clara permaneceu uma semana preso numa delegacia de Carapicuíba (região metropolitana de São Paulo) por ter utilizado sem autorização uma tomada de energia elétrica do fórum da cidade para carregar a bateria de seu telefone celular. O Sinapro, diz Rocha Clara, representa 160 mil produtores rurais em todo o país informação negada tanto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) como pela União Democrática Ruralista (UDR).
Em Salvador, assinando cheques em nome do sindicato, Rocha Clara comprou uma central telefônica, um automóvel e eletrodomésticos nos últimos 40 dias. ''Somente conseguimos chegar a ele depois que recebemos uma queixa de um gerente de hotel'', afirmou a delegada. Quando foi detido, o presidente do Sinapro tentava comprar uma televisão. ''Ele estava passando um cheque em nome de Dione Fábio Bandeira, que está preso em São Paulo por envolvimento com o tráfico de drogas.''
Para facilitar a sua movimentação, o presidente do Sinapro costumava se hospedar, em média, duas semanas em cada hotel. ''Como as faturas eram emitidas, ele conseguia enganar os gerentes e funcionários dos estabelecimentos com relativa facilidade'', declarou a delegada Maria Dahil.
Rocha Clara seria encaminhado ainda ontem à Penitenciária Lemos Brito, onde vai aguardar uma decisão da Justiça. Com ele, ainda de acordo com a PM, foram apreendidas duas malas contendo carimbos, notas fiscais e documentos falsos.
Rocha Clara, disse à Agência Folha que seus credores não vão ''ficar no prejuízo''. ''Tenho patrimônio e bens suficientes para quitar todas as dívidas.'' Rocha Clara disse que veio à Bahia para formar mais um núcleo do sindicato. A reportagem não conseguiu falar por telefone com nenhum funcionário da sede do Sinapro, em São Paulo.


