A liderança do assentamento Iraci Salete nega qualquer envolvimento na comercialização dos lotes e refuta a existência de uma lista de expulsão. ''Isso é mentira, é gente que não está respeitando o contrato com o Incra'', afirma um dos membros da direção, Gilmar José Paes, 38 anos, que hoje ocupa a área de Odilon Tavares de Campos.
Paes confirma que houve a comercialização de áreas mas diz que não existiu envolvimento da direção. ''Montaram uma associação para se desligar do movimento e vender lotes. Se não fosse a gente, tinham vendido muito mais'', afirma, referindo-se à criação de uma associação de produtores da qual o sindicalista Arnaldo Nascimento fazia parte.
Com relação ao arrendamento das áreas, Paes afirma que a conduta está proibida dentro do assentamento há três meses. Ele admitiu, contudo, que houve casos mas não soube dizer quantos assentados estão envolvidos. ''Nós vamos fiscalizar melhor isso, mesmo porque o próprio Incra vai tirar da terra quem não está trabalhando'', afirma.
Apesar da proibição de arrendar áreas ter sido feita há três meses, o assunto foi discutido novamente em reunião com líderes regionais do MST nesta semana. Uma assentada que conversou com a reportagem contou que alguns negócios já engrenados tiveram que ser desfeitos por conta disso.
O Incra afirma, através de sua assessoria de imprensa, que tanto o arrendamento como a comercialização de áreas são ilegais. No caso da comercialização de lotes, os envolvidos podem ser retirados definitivamente do programa de reforma agrária. Contudo, o próprio órgão desconhece boa parte das transferências realizadas nos assentamentos.
Questionado sobre a situação do ex-assentado Odilon Tavares de Campos que saiu da área há um ano o Incra não soube informar como está o processo de desistência no lote. Na verdade, o nome dele bem como do seu sucessor na área não foram encontrados nos registros do órgão ontem.
O Incra informa, contudo, que a colocação de novas famílias no assentamento pode ser feita diretamente pelos assentados, mesmo que estes não tenham cadastro no Incra. Desde que haja concordância da comunidade e as pessoas se enquadrem nos requisitos, o órgão regulariza a situação. Uma prática que facilita a comercialização irregular de áreas.

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