Líder no Paraná acusa discriminação
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quarta-feira, 21 de novembro de 2001
De Curitiba 
A comunidade negra de Curitiba lembrou o Dia da Consciência Negra com apresentações culturais, realizadas no Centro da cidade. Na Boca Maldita, integrantes da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (Acnap) também distribuíram panfletos, com informações da entidade e sobre políticas de valorização da raça. ''Infelizmente, a sociedade só lembra do negro na data da abolição da escravatura e no dia do Zumbi dos Palmares, mas o preconceito e a discriminação deveriam ser discutidos o ano inteiro'', disse o presidente da entidade, Jaime Tadeu Silva.
De acordo com Silva, o negro no Paraná é excluído e tem poucas oportunidades de ascensão. Atualmente, 23% da sociedade paranaense têm descendência afro-americana. ''Mas poucos conseguem chegar na universidade, cerca de 1%'', disse o ativista. ''E, em Curitiba é raro ver no comércio empregados negros atendendo, porque se exige boa aparência, que para lojistas não é a cor negra'', acrescentou.
Jaime Silva disse que por causa dessa discriminação o negro fica sem oportunidade de trabalho, saúde e educação. ''A maioria dos nossos está nas periferias apenas sobrevivendo'', disse.
A Acnap defende a aplicação de políticas afirmativas, na qual se criem cotas para que os negros possam se inserir em melhores condições na sociedade. ''É importante colocar em discussão o assunto do negro, para que se possa conscientizar a comunidade'', disse Jaime Silva. (Israel Reinstein)


