Líder nega envolvimento
As acusações de envolvimento de lideranças do MST na morte do sem-terra Bugrão não têm fundamento, segundo Rogério Mauro, da coordenação estadual do movimento, e o advogado da CPT, Darci Frigo. Eles responderam que não há indícios de que alguém ligado ao comando do MST na região possa estar envolvido na morte do sem-terra.
Frigo disse que Renato Reihner, o suposto assassino de ‘‘Bugrão’’, não estava presente ao local no dia do crime: ‘‘Ele nem foi citado no processo, rigorosíssimo contra os sem-terra’’. A possível participação de outro líder, José Damasceno, também está descartada, de acordo com os dirigentes. ‘‘Damasceno estava participando de um curso num assentamento do MST no Rio Grande do Sul no dia da morte de Bugrão’’, lembrou Frigo.
Representantes do MST e da CPT também justificaram ontem em Curitiba que a reocupação da fazenda Rio Novo, em Querência do Norte, foi decidida porque a área era improdutiva. Segundo o advogado Frigo, as famílias despejadas de outras propriedades no mês passado estavam enfrentando dificuldades na região Noroeste.
Quando deixaram a Rio Novo pela primeira vez no dia 7 de maio, os acampados deixaram para trás plantações de feijão (35 alqueires), mandioca (35 alqueires) e milho (10 alqueires). Rogério Mauro disse que poderá haver mais ocupações. ‘‘Na medida que o governo não sinaliza com soluções, a luta vai continuar. Não queremos nos colocar acima da lei, mas prosseguiremos com as ocupações para que a lei seja cumprida.’’
Em nota distribuída a jornalistas, o MST voltou a fazer acusações de que sem-terra foram presos e submetidos a humilhações. Na penitenciária de Loanda, três mulheres negras teriam sofrido discriminação racial ao ouvirem de um dos soldados a frase: ‘Reza agora, preta, reza!’.
Homens da PM e do Grupo de Operações Especiais (GOE) teriam participado da ação. Segundo o comunicado, ‘‘alguns estavam sem tarja de identificação’’ e não foi dado aos detidos o direito de se comunicar com um advogado. Os trabalhadores teriam ficado sem comida até as 2h30 da madrugada de domingo. (D.V.)

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