Campo Grande - O líder indígena Marcos Veron morreu ontem em Dourados (MS), horas depois de ter sido internado com vários ferimentos na cabeça.
Domingo, Veron participou de uma invasão promovida por cerca de cem caiovás à fazenda Brasília do Sul, em Juti (325 km ao sul de Campo Grande). Seu sobrinho, Reginaldo Veron, foi baleado na perna, mas não corre risco de morte.
Marcos Veron chegou ao hospital Evangélico de Dourados por volta das 8h. Ele morreu às 11h50. Até ontem à tarde, a causa exata da morte ainda não havia sido divulgada.
Os dois foram feridos em conflito com funcionários da fazenda, que pertence a Jacinto Honório da Silva, segundo informações iniciais da polícia. Um funcionário da fazenda que se identificou apenas como José, no entanto, negou que tivesse havido algum conflito. Os índios não estariam mais dentro da área.
A área de 10 mil hectares é disputada entre as duas partes desde 98, quando houve a primeira invasão. A Funai afirma que já existe um laudo antropológico confirmando que se trata de terra em indígena. Em outubro de 2001, eles foram retirados pela polícia.
A reportagem deixou recados nos escritórios do fazendeiro Jacinto Honório da Silva em Campo Grande e em São Paulo, mas até o final da tarde de ontem ele não havia respondido ao pedido de entrevista.
A assessoria da Funai em Brasília informou que o assunto seria tratado pelo chefe do órgão em Dourados, Jonas Rosa.
De acordo com a Funai, existem cerca de 4.000 caiovás acampados no sul de Mato Grosso do Sul à espera de demarcação de terras.
Essa etnia é conhecida nacionalmente por causa da altas taxas de suicídio, em decorrência da situação de miséria em que a maioria vive.
Um dos principais problemas dos índios da região é a pouca área de que dispõem. O caso mais dramático é o da reserva de Dourados, onde estão cerca de 9.600 índios em uma área de 3.500 hectares.
Ao todo, vivem cerca de 25 mil índios no sul do Mato Grosso do Sul, Estado que tem a terceira maior população indígena do País, atrás apenas do Amazonas e de São Paulo.
A principal ocupação dos caiovás da região é o trabalho de bóia-fria nas fazendas de cana-de-açúcar da região. Casos de alcoolismo são comuns na etnia.

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