Líder indígena denuncia genocídio
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quarta-feira, 14 de maio de 1997
Agência Estado 
RIO - A professora e líder guarani Edna Silva de Souza Machuy criticou ontem a omissão das autoridades na investigação sobre índios guarani kaiwás, do Mato Grosso do Sul, que foram encontrados mortos em datas diversas. A líder indígena afirma que as vítimas foram assassinados, e não cometeram suicídio, como apontam os inquéritos sobre as mortes feitos pela Polícia Civil. A denúncia foi feita em palestra na conferência Oretama, a Terra do Índio, encerrada ontem no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
A denúncia foi feita no ano passado pela antropóloga Roseli Arruda, ao Ministério da Justiça, à Ordem dos Advogados do Brasil e à Fundação Nacional do Índio (Funai). A antropóloga compilou 23 casos de morte registrados como suicídio com características de homicídio, como sinais de violência e falta de evidências que comprovassem a conclusão dos inquéritos policiais.,
Roseli contou que o índio Ramón Gomes da Silva, morto em novembro de 1995, enforcado, segundo a Polícia Civil, foi encontrado com marcas de sangue no rosto, sinais de lesões corporais e agachado. Há casos em que índios tinham em volta do pescoço cadarços de tênis, camisas velhas e calças que não poderiam resistir ao peso do corpo, caso eles tivessem se suicidado, disse a antropóloga.
Tanto Roseli e quanto Edna afirmam que os assassinatos teriam sido praticados por índios Terenas e guaranis mestiços do Conselho Indigenista formado pela Funai em Mato Grosso do Sul. O objetivo é conseguir terras para serem arrendadas a produtores rurais do Estado. Os índios que mais morreram eram homens entre 14 e 21 anos, prestes a constituir família, que por isso, têm de pedir terra à Funai, disse a antropóloga.


