Quito, 24 (AE-AP) - O líder indígena Antonio Vargas, membro de uma junta cívico-militar que esteve no poder durante algumas horas no Equador, advertiu nesta segunda-feira (24) sobre o risco de uma "guerra civil" e disse que o fato de ter derrubado o presidente Jamil Mahuad abriu apenas um parênteses na luta popular.
Vargas é o presidente da poderosa "Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador" (Conaie), que na semana passada convocou à capital mais de 5.000 índios que desencadearam uma insurreição cívico-militar que causou a queda de Mahuad, na última sexta-feira.
"O povo vai se levantar. Deixamos entre parênteses o levante (indígena), até avaliar este governo ou qualquer outro", advertiu em entrevista coletiva.
"Se este governo fizer o mesmo que Mahuad, enfrentará a mesma força. O povo se levantará", disse, aludindo ao novo governo liderado por Gustavo Noboa, que era vice de Mahuad.
"Temos dito que entre hoje e três ou seis meses, (se não houver mudanças) haverá problemas. Haverá uma grande explosão social e poderá haver uma guerra civil", advertiu.
Antonio Vargas disse ainda que seu grupo desconhece Gustavo Noboa como presidente dos equatorianos. "Não o reconhecemos", afirmou. Ele também anunciou uma reunião com os dirigentes indígenas na próxima semana para que seja tomada uma posição a respeito do novo governo.
Vargas e a Conaie foram decisivos na queda do presidente Jamil Mahuad entre sexta-feira e sábado da semana passada, quando uma revolta conjunta com militares resultou na invasão do Congresso e da Corte de Justiça.
O dirigente insistiu hoje que se sentia traído pela atitude do general Carlos Mendoza, que integrou juntamente com Vargas e com o juiz Carlos Solórzano a Junta de Salvação Nacional. Com a negativa de Mendoza de continuar participando da junta e sua solicitação para se retirar do serviço ativo das Forças Armadas, deu-se o passo à sucessão presidencial e à assunção ao poder do vice-presidente Gustavo Noboa.
"Foi uma traição ao povo equatoriano", definiu o dirigente indígena ao revelar que Mendoza havia jurado respeitar a Junta de Salvação Nacional.

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