Nova Délhi, 21 (AE-AP) - O primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, reiterou hoje (21) a política da Índia de manter "uma dissuasão nuclear mínima e digna de crédito", mas ao mesmo tempo assegurou que seu país não pensa em "termos belicistas" em suas relações com os demais países da região.
Vajpayee também destacou sua intenção de solucionar por meios pacíficos o conflito com o Paquistão pela região da Caxemira.
O presidente americano, Bill Clinton, e Vajpayee firmaram no fim de sua reunião hoje em Nova Délhi uma declaração conjunta que determina as bases de sua cooperação para o século 21. Contudo, o chefe de governo indiano não se comprometeu a subscrever o Tratado de Proibição Total dos Testes Nucleares (CTBT), tal como Washington desejava.
Mesmo assim, Vajpayee declarou-se disposto a continuar cooperando com os Estados Unidos contra a proliferação nuclear, prometeu reforçar o controle sobre a exportação de armas e buscar uma rápida abertura das negociações sobre um tratado que proíba a produção de material físsil para a fabricação das armas atômicas.
O líder indiano assegurou que seu país não realizará novos testes atômicos, não será o primeiro a usar armas atômicas e não participará de uma corrida armamentista na região.
Clinton, o primeiro presidente americano a visitar a Índia desde 1978, disse à imprensa que o documento firmado entre os dois governos prevê, entre outros aspectos, uma maior cooperação econômica entre os EUA e a Índia, a ampliação das relações comerciais, assim como a ajuda americana aos mercados financeiros e à pequena empresa nesse país asiático. Clinton também suspendeu algumas das sanções impostas contra a Índia há dois anos depois que o país realizou cinco testes nucleares.
O presidente americano exortou a Índia e o Paquistão a dialogar sobre a Caxemira e condenou o massacre de hoje de pelo menos 40 sikhs - minoria étnica da Índia - no disputado território himalaio. O assessor de segurança de Vajpayee, Brijesh Mishra, responsabilizou os grupos Lashkar-e-Toiba e Hezbul Mujahedin pelos assassinatos dos sikhs, acrescentando que os dois mais ativos movimentos separatistas recebem apoio do governo de Islamabad.
Clinton, que no sábado fará uma breve escala no Paquistão para conversar com os líderes militares, que em outubro derrubaram o governo democrático do primeiro-ministro Nawaz Sharif, disse ter chegado o momento de respeitar-se a Linha de Controle, que divide a Caxemira.
Desde que obtiveram a independência da Grã-Bretanha, em 1947, a Índia e o Paquistão já travaram três guerras, duas pela Caxemira. Em 1998 os dois vizinhos realizaram testes nucleares, que os colocaram no reduzido grupo das potências nucleares no mundo. E em 1999 quase iniciaram uma nova guerra pela Caxemira depois que separatistas islâmicos invadiram o território indiano, supostamente apoiados pelo Paquistão, segundo denunciaram as autoridades indianas.
Pelo menos 72 pessoas ficaram feridas e centenas de manifestantes foram presos hoje durante os protestos contra os EUA em várias partes da Índia. Em Calcutá, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação de comunistas. Mais de 50 manifestantes e 15 policiais ficaram feridos nessa cidade.
Em várias partes da Índia, os manifestantes queimaram bonecos que representavam Clinton e em Nova Délhi a polícia usou canhões de água para dispersar os que desafiaram a proibição de realizar protestos em alguns setores da capital indiana.

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