Brasília, 17 (AE) - O principal articulador do movimento grevista de magistrados, o juiz baiano Fernando Tourinho Neto, tomou posse hoje como presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.a Região, criticando os outros dois Poderes. "O Executivo dobra-se ao poder econômico", atacou. "Os parlamentares, em sua grande parte, são eleitos por força dos grandes grupos econômicos, pela classe dominante." Assistiam ao discurso de posse, sem manifestar reações, o vice-presidente Marco Maciel, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, e o ministro da Justiça, José Gregori. A platéia, formada majoritariamente por juízes, aplaudia a cada nova frase de impacto de Tourinho.
Um dos principais pontos do discurso ocorreu quando o novo presidente do TRF elogiou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para Tourinho, o movimento tem uma organização "invejável" e ocupa terras abandonadas pelos donos
não invade. Segundo o presidente do TRF, as desapropriações de terras "imprestáveis para a agricultura" ocorrem para beneficiar determinadas pessoas e grupos econômicos. "Uma ação entre amigos", concluiu.
Para Tourinho, as grandes decisões não são tomadas no Planalto. "Tudo é simplificado com a seguinte fórmula: deixar que o mercado resolva." O presidente do TRF também acusou o Executivo e o Legislativo de resistir a cumprir decisões judiciais.
Sobre a Justiça, Tourinho disse que não se deseja mais que ela seja "cega". "Desejamos uma Justiça de mudança, de transformação", afirmou.
Ele completou: "A Justiça é dos oprimidos porque é a Justiça da maioria." Depois de criticar a imprensa e o aumento da corrupção, Tourinho, que continua presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), concluiu o discurso falando sobre a fixação do teto salarial do funcionalismo público federal.
"Há dois anos lutamos pela aprovação de um teto salarial para os três Poderes, mas interesses dos que têm altos salários e a demagogia de certos parlamentares, com o propósito tão-só de adular o povo, impedem que esse teto seja aprovado", opinou. Dentre os processos julgados pelo TRF, estão recursos contra decisões judiciais envolvendo temas federais de interesse do governo, como privatizações.

mockup