Islamabad, 17 (AE-AP) - O líder do regime militar paquistanês, general Pervez Musharraf, garantiu hoje (17) que o Exército não se perpetuará no poder no país, prometendo restabelecer os princípios democráticos - rompidos na terça-feira, com o golpe de Estado que derrubou o primeiro-ministro constitucional, Nawaz Sharif.
Num pronunciamento transmitido pela TV, Musharraf anunciou também a redução do número de tropas paquistanesas na fronteira com a arqui-rival Índia e a criação de um Conselho de Segurança Nacional, integrado por militares e tecnocratas civis, para assessorar seu governo.
Apesar da promessa de instaurar a "verdadeira democracia", Musharraf acrescentou que os militares ficarão no poder "pelo tempo que for necessário", evitando estabelecer prazos. "Não permitirei que imponham outra vez ao povo a era da democracia falsa", disse o general. "É a democracia verdadeira que eu prometo."
O discurso de hoje foi a primeira aparição pública de Musharraf desde que anunciara a deposição de Sharif, horas depois do golpe. Inicialmente, o pronunciamento estava marcado para o sábado, mas foi adiado por um dia para que o regime fizesse os últimos acertos na formação do conselho que vai assessorá-lo politicamente.
Ele será integrado por um restrito grupo de seis membros, entre comandantes militares e especialistas civis das áreas de política nacional, política internacional e justiça. Musharraf não anunciou nomes dos integrantes do conselho, limitando-se a informar que o círculo de poder seria formado por "pessoas competentes".
Veterano de duas guerras contra a Índia, Musharraf emitiu sinais de de distensão ao país vizinho - cujos comandantes militares manifestaram preocupação após a deposição de Sharaf -, ordenando a redução de tropas na fronteira.
Duas mais novas potências nucleares do planeta, Índia e Paquistão disputam há meio século a soberania da Província da Caxemira. De acordo com a maioria dos analistas políticos, o recuo militar do Exército paquistanês na região, em julho - forçado pela pressão política de potências estrangeiras, como os EUA e a Grã-Bretanha -, foi o principal motivo da irritação dos comandantes das Forças Armadas em relação a Sharif. "Indianos e paquistaneses devemos exercer políticas de restrição (militar) com responsabilidade", afirmou Musharraf.
"Nossa economia está arrasada, a credibilidade perdeu-se, as instituições foram demolidas e a desarmonia nas províncias ameaça a federação", acrescentou o líder, justificando o golpe. "Nossa tarefa é a de recuperar nossa honra e nosso respeito ante a comunidade das nações."

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