Líder francês anuncia resistência à OMC
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Márcia Furlan Agência Estado De São Paulo 
O líder da Confederação Camponesa da França, José Bové, que se encontrou ontem em São Paulo com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o 1º Fórum Social Mundial, que começa amanhã em Porto Alegre, ajudará a organizar a resistência frente à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O líder francês está no Brasil para participar do fórum. Bové afirmou, ao sair do encontro, que os debates permitirão que entidades e organismos construam alternativas aos modelos econômicos e financeiros do neoliberalismo internacional.
Segundo ele, o encontro dará legitimidade às instituições para discutir com autonomia o processo de globalização. A um ano da reabertura das negociações da Organização Mundial do Comércio o Fórum de Porto Alegre vai ajudar a organizar a resistência frente à OMC e permitir fixar grandes linhas de reivindicações para o conjunto das entidades. Ao mesmo tempo, ajudará a estabelecer uma estratégia para bloquear o processo de liberalização, disse.
O líder francês explicou que optou por ir a Porto Alegre em vez de Davos, na Suíça, onde ocorrerá o Fórum Econômico Global no mesmo período, porque o encontro da Europa não tem legitimidade. Ele explicou que, na última participação nessa reunião, ele estava representando os movimentos de resistências e a única resposta que obteve foi o lançamento de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
O Fórum de Davos não tem legitimidade, são apenas os dirigentes das maiores multinacionais que se definem como líderes globais e se reúnem para impor a sua lógica. Para Bové, o Fórum de Porto Alegre representa hoje o único encontro que discutirá a questão de forma democrática. Ele reiterou que a entidade liderada por ele apóia o subsídio à agricultura pelos governos dos países apenas para a produção agrícola que se destine à alimentação da população. Ele também rejeita a subvenção para a exportação.
Bové deixou o Instituto Cidadania para um encontro com a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT). Ele confirmou que estará na abertura do Fórum Social Mundial.


