Santa Tereza do Oeste - Um boletim de ocorrência registrado em 28 de março deste ano na Subdivisão Policial de Cascavel (Oeste do Estado) seria a prova de que Valmir Mota de Oliveira, o Keno, um dos líderes na região do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), estaria marcado para morrer. Ele foi morto durante confronto com seguranças particulares, na reocupação da fazenda Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. Além dele, um segurança morreu e outras oito pessoas saíram feridas.
A informação foi divulgada ontem pela Agência Estadual de Notícias (AEN) que detalhou que, além de Keno, a ameaça abrangeria ainda os integrantes do MST Celso Ribeiro Barbosa (membro da coordenação estadual do MST e Via Campesina) e Célia Lourenço. ''Achamos que as ameaças vieram mesmo da UDR (União Democrática Ruralista), mas é complicado dizer ao certo quem é'', declarou Barbosa. A advogada da ONG Terra de Direitos, Gisele Cassano, citou que o presidente da Sociedade Rural do Oeste (SRO), Alessandro Meneghel, teria contratado seguranças particulares em conjunto com o Movimento dos Produtores Rurais (MPR) para ameaçar e expulsar os sem-terra de áreas ocupadas.
À FOLHA, Meneghel voltou a negar qualquer envolvimento com o episódio na Syngenta e também com as supostas ameaças de morte contra membros do MST. ''Quem me ameaçou de morte foram eles'', rebateu. ''O que querem é desviar o foco. Eles invadiram a propriedade, estão ilegais e ainda querem ter razão'', criticou o presidente da SRO, completando que a situação na região está fora de controle. O presidente da UDR no Paraná e vice-presidente nacional, Marcos Prochet, assegurou que a entidade não tem qualquer envolvimento com as supostas ameaças. ''Nem conheço esse pessoal de lá da região. Tudo que acontece pelo lado dos produtores (a culpa) é da UDR'', comentou.

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