Líder dos veteranos pede suspensão das hostilidades
Harare, 20 (AE-AP) - O líder da associação dos veteranos de guerra de independência do Zimbábue, Chanjerai Hunzvi, pediu hoje (20) a "suspensão das hostilidades" na luta pelo controle das fazendas da minoria branca. Apesar disso, voltaram a ocorrer invasões e queimas de fazendas. Em meio à pressão internacional para pôr fim à violência, o presidente Robert Mugabe - que apóia as invasões - convidou líderes do sul da áfrica para discutir amanhã (21) em Victoria Falls a crise das terras e a guerra no Congo.
Depois de reunir-se com fazendeiros em Marondera (100 quilômetros a leste de Harare), Hunzvi, o líder das invasões, afirmou que as ocupações vão continuar, mas sem prejudicar o trabalho nas fazendas. "Sua segurança nas fazendas está garantida e não apenas por mim, mas pelo presidente", disse ele. "Todas as outras coisas devem parar. Têm ocorrido agressões por parte dos veteranos de guerra e agressões por parte dos fazendeiros. Deve haver uma suspensão das hostilidades."
Os fazendeiros saudaram o chamado de Hunzvi. "Este é um grande avanço", afirmou um deles, que não quis ser identificado. "O problema nunca foi a presença dos veteranos de terra, mas o fato de que eles nos têm impedido de trabalhar."
Apesar do pedido de não-violência de Hunzvi, duas fazendas foram incendiadas hoje perto de Arcturus (60 quilômetros a nordeste de Harare), ao longo da estrada para a capital, enquanto famílias brancas continuavam transferindo-se do campo para as cidades. Imagens da Associated Press Television mostraram um bando armado com machetes (facões de mato) e pedaços de pau matando a pauladas e pedradas seis cães de guarda na casa principal da fazenda de Alan Windram - que abandonara o local com sua família após ter recebido ameaças. Em seguida, os cerca de 200 invasores, na maioria jovens, foram para os alojamentos dos agricultores. A multidão derrubou portas, quebrou janelas e incendiou pelo menos 30 alojamentos, enquanto os agricultores observavam atônitos e com medo.
Um dos homens que comandavam os agressores identificou-se como David Mazhandu e disse que a fazenda foi atacada por ser uma base do Movimento pela Mudança Democrática (MMD), que faz oposição ao presidente Robert Mugabe. "Nossa gente está sofrendo por causa desse pessoal", afirmou. Em seguida, o bando atacou uma fazenda próxima, forçando seus donos a fugir.
Na cúpula de amanhã em Victoria Falls, os presidentes Thabo Mbeki (áfrica do Sul), Joaquim Chissano (Moçambique), Sam Nujoma (Namíbia), Paul Kagame (Ruanda) e Yoweri Museveni (Uganda) deverão discutir com Mugabe formas de pôr fim à violência que ameaça desestabilizar toda a região. O presidente do MMD, Morgan Tsvangirai, pediu que os dirigentes africanos pressionam Mugabe a conter a violência e a não adiar as eleições parlamentares de maio. "Espero que eles usem o encontro para dizer (a Mugabe) que ele está seguindo um caminho suicida", afirmou Tsvangirai.
Mugabe, porém, não deu sinais de recuo. Ele reiterou hoje sua negativa em enviar policiais ou soldados para proteger as fazendas, afirmando querer dar tempo para que os próprios invasores ponham fim à violência. "Há muitas casas invadidas na Grã-Bretanha e isso não significa que não haja lei e ordem", afirmou. O presidente insistiu que a ONU não deve intervir. "Em geral, há paz no país".





