Líder dos caminhoneiros no Sul diz que aumento do diesel "viola acordo"
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 04 (AE) - O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (Fecam), Eder DalLago, disse hoje que o aumento anunciado no preço do óleo diesel "viola o acordo" tratado entre a categoria e o governo federal. Segundo ele, nenhuma elevação do diesel poderia acontecer ao longo das negociações.
"Se o governo federal, que deveria esperar 60 dias, já não cumpre o que acordou no oitavo dia, a coisa fica difícil", interpretou. Na sua opinião, o acerto firmado entre o sindicalista carioca Nélio Botelho e as autoridades federais "parece que não adiantou nada".
"Câncer do caminhoneiro" - "O preço do frete está parado há dois anos, enquanto o diesel, apenas em 1999, já subiu 50%", reclamou. "Hoje o caminhoneiro recebe entre R$ 450,00 e R$ 600,00 brutos para fazer uma viagem de Caxias do Sul a São Paulo, cerca de mil quilômetros, quando teria de ganhar, no mínimo, R$ 1.000,00", assinalou. "O quadro ficou ainda mais complicado devido à chegada dos pedágios, o câncer do caminhoneiro", enfatizou.
DalLago ponderou que "o caminhoneiro já está pagando para trabalhar" e com um novo reajuste do combustível o quadro que levou à paralisação "ficará ainda pior". O preço do diesel subirá 7,5% na refinaria e, de acordo com a estimativa dos Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, custará 5,6% a mais nos postos a partir da meia-noite de sexta-feira. A gasolina aumentará 9% na refinaria e, nos postos, cerca de 6,5%. Na próxima semana, a Fecam fará uma reunião de avaliação dos resultados do movimento da categoria.


