Brasília, 04 (AE) - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Aloizio Mercadante, enviou carta hoje ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, alertando para o risco de confronto entre a polícia do Espírito Santo e manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em frente ao Fórum de Vitória, onde começou ontem o julgamento do líder do MST José Rainha. Mercadante solicitou ao ministro seu "empenho pessoal no sentido de orientar as forças da ordem para que se comportem com serenidade, evitando assim mais um massacre".
Na carta, o líder do PT lembra que o julgamento está sendo acompanhado por representantes de entidades internacionais como a Justiça Global e a Anistia Internacional, além dos deputados federais petistas João Coser (ES), Luci Choinaski (SC) e Adão Preto (RS). Ontem, Mercadante e o presidente do honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, estiveram no local. Mercadante fez referência ainda ao "clima de tensão" na praça diante do fórum. "Estão presentes 3 mil lavradores do MST e 300 policiais fortemente armados", contou o deputado, criticando a atitude da acusação que "colocou um boneco de pinóquio sobre sua mesa de trabalho, o que certamente não contribui para serenar os ânimos".
A carta foi enviada ainda para os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães, da Câmara, Michel Temer, e o governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira. Segundo Mercadante, José Rainha, que é acusado de co-autoria em homicídio no município de Pedro Canário (ES), em 1989, estava no Ceará na data do crime. "Fato que é testemunhado pelo governador Tasso Jereissati", escreveu o deputado no texto ao ministro. "Solicito, finalmente o seu empenho pessoal para que este julgamento realizado em clima passional não saia dos limites da objetividade e produza justiça".

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