Brasília, 26 (AE) - Depois de recuar da posição de obstruir a pauta e não conversar sobre a cobrança dos servidores inativos da União, o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), teve hoje um primeiro encontro com o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Segundo o petista, a ocasião serviu para criar um "clima de debate" sobre as propostas de emenda constitucional que determinam a cobrança dos servidores inativos da União e subtetos para salários de servidores da União, Estados e municípios. "O PT vai conversar e negociar com o governo, somos uma instituição com idéias de deputados, senadores e governadores", disse Genoíno.
O governo acolheu bem o recuo e o início das negociações. "Tudo no texto das emendas é negociável com todos os partidos, porque o interesse do governo é facilitar o trâmite no Congresso - sem prejuízo da agilidade necessária para a aprovação das matérias", afirmou Madeira. O líder do governo destacou a importância da conversa já que o próprio líder petista já confirmou que não é contrário, "de início", ao texto da emenda que fixa os subtetos.
Hoje, o governador do Acre, Jorge Viana (PT), desembarcou em Brasília para "mediar" a discussão sobre as emendas. "Vou trabalhar para levar o debate ao limite", disse Viana, que vai encontrar-se com Genoíno e com o presidente nacional do PT, José Dirceu (SP).
Segundo Genoíno, além das conversas como o governo, nas próximas semanas o partido deverá promover um encontro com os governadores da oposição que, na semana passada, foram impedidos pelo PT de participar da conversa com o governo sobre a cobrança dos inativos. "Precisamos fechar uma posição do partido sobre o assunto", defendeu. "Não significa que vamos concordar com eles, mas vamos discutir alternativas", disse. Dos três governadores petistas, dois deles já fazem a cobrança dos servidores inativos dos Estados: além de Viana, Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul.
Isenção - Um dos pontos que deverá fazer parte do rol de alternativas que o PT quer apresentar às emendas é o aumento do valor da isenção da cobrança previdenciária - também defendida por Viana. A oposição considera baixo o valor de R$ 600,00 e vai sugerir pelo menos o dobro do valor para a isenção.
Para Genoíno, há muitas alternativas à taxação dos inativos pelo governo ainda não exploradas. "Se o governo quer um ajuste fiscal de emergência deve estudar o corte de alguns incentivos fiscais, por exemplo", avaliou o líder do PT.
Dentro do próprio governo, já há propostas de mudança do texto da emenda que determina a cobrança dos inativos. Hoje o governo não conseguir fechar acordo para a determinação de relatores para as duas emendas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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