Líder do PDT pode apresentar projeto de anistia a agentes da Abin
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Brasília, 26 (AE) - O líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), afirmou hoje que poderá apresentar projeto de "anistia inominada" (sem determinação dos beneficiários) para dois supostos agentes da Agência Brasileira de Informações (Abin) que teriam participado do grampo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O parlamentar disse que a escuta foi feita "com pessoal e equipamento" da instituição no Rio, embora afirmasse ainda não ser possível afirmar se a operação foi oficial (por determinação superior) ou clandestina (por iniciativa dos funcionários, para chantagem).
"Eu afirmo que essa gravação foi feita por agentes da Abin no Rio", disse. "Obtive essa informação pessoalmente, como deputado." O pedetista afirmou que "há pelo menos duas pessoas que estão dispostas a falar a respeito", sob condição de imunidade, mas há problemas porque a legislação brasileira não prevê esse tipo de benefício. O parlamentar disse também não poder determinar qual foi o grau de participação dos supostos agentes na operação de grampo e atribuiu ao fato de ser a agência governista a origem da escuta a grande confusão que, para ele, envolve o governo ao abordar o assunto. "O governo patrocinou, por uma de suas agências, o controle, oficial ou clandestino, de linhas telefônicas", acusou.
Miro Teixeira manifestou preocupação com a possibilidade de o presidente Fernando Henrique Cardoso ou ministros estarem sendo chantageados pelos autores da escuta, com fitas que ainda não teriam sido reveladas. As afirmações do líder pedetista causaram surpresa no ato promovido por lideranças da oposição no Espaço Cultural da Câmara, à tarde, antes da entrega da denúncia contra FHC ao presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), mas foram ironizadas pelo líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
"Parabéns; pelo menos, estão entendendo de política de informações, e eu não", disse ele. "Agora, vão entrar naquela coisa de filme americano, de proteger testemunha; eu sempre fui vítima da comunidade de informações, do SNI (Serviço Nacional de Informações, que chefiava a espionagem oficial durante o regime militar)." Virgílio disse que "a oposição é muito fofoqueira" e afirmou não ver escândalo nenhum. "Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações) e André Lara Rezende (ex-presidente do BNDES) pouparam dinheiro do País", declarou.


