Recife- O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim, disse ontem que este deve ser o último ano, no Recife, em que o Grito dos Excluídos terá o caráter de manifestação alternativa de luta pela efetiva independência do Brasil. Em 2005, segundo ele, todas as organizações que integram o Grito, incluindo o MST, querem dividir espaço com o Exército e Polícias no desfile oficial do 7 de Setembro. ''Vamos transformar a data em dia de luta e não de comemoração'', afirmou ele. ''O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a tarefa de lutar pela soberania e independência do País''.
Amorim disse que os representantes da sociedade civil pretendem combinar com o Exército e a Polícia Militar o desfile conjunto a partir de 2005. ''Mas mesmo que eles não queiram, essa é a nossa intenção'', afirmou, ao destacar que a idéia foi deixada para o próximo ano, para não criar problemas em ano eleitoral.
Tendo à frente a Central Única de Trabalhadores, igreja, estudantes, movimentos sociais e associações civis, o Grito dos Excluídos deverá reunir 15 mil pessoas, e no seu roteiro, fará uma parada no Palácio da Justiça, na Praça da República, para lavagem das escadarias do prédio. ''Será a representação da lavagem das injustiças cometidas pelo Poder Judiciário contra os pobres e excluídos e a nossa luta pela transparência deste Poder'', explicou Sônia Freitas, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

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