O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região Noroeste, Pedro Alves Cabral, preso desde sábado, pode ser liberado hoje. A previsão é dos advogados do movimento que estão atuando no caso. Ontem o clima em Querência do Norte era tenso. Um dos coordenadores do MST na cidade disse à Folha que mais de 300 sem-terra estavam na cooperativa do movimento, dispostos a ‘‘tomar uma atitude’’ contra a prisão de Cabral.
Um dos advogados do MST, Hugo Francisco Gomes, explicou que o juiz e a promotora de Loanda são substitutos, e acabaram pedindo vistas do processo. Porém o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, que esteve em Loanda anteontem, mostrou que a liberdade de Cabral é garantida em um acordo firmado entre MST e Estado no início do ano. Os sem-terra não ocupam mais propriedades e o governo não cumpre os mandados de prisão. Além de Cabral existem outros líderes do MST com a preventiva decretada.
Para os líderes do MST, a prisão de Cabral ‘‘não passa de armação’’. Ele estava com a prisão preventiva decretada desde o início do ano passado, acusado de participar do sequestro do assentado Celso Antônio Bakes, em dezembro de 1999. Bakes é contra o repasse de 3% dos recursos para o MST.

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