Líder do MST garante manifestações pacíficas
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Agência Estado Do Recife 
Mais de mil sem-terra que participam da Marcha Nacional pela Reforma Agrária em Pernambuco chegaram ontem ao Recife, depois de caminhar cerca de 110 quilômetros desde o município de Aliança, na zona da mata. O líder regional dos sem-terra, Jaime Amorim, mantém a possibilidade de ocupação, mas garantiu que toda a programação desta terça-feira, pela reforma agrária e contra a impunidade no caso do massacre de Eldorado dos Carajás (PA), no qual 19 sem-terra foram mortos, será pacífica.
O MST programou para hoje, Dia Internacional da Luta pela Terra, manifestações em várias capitais. No Paraná, está prevista concentração na região Centro-Oeste (ver texto ao lado).
O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Pernambuco, Geraldo Eugênio, se reuniu ontem pela segunda vez em três dias com os líderes do MST e Comissão Pastoral da Terra (CPT) para discutir a pauta de reivindicações. Ele apresentou relatório com mais de 60 áreas vistoriadas no Estado e em outra reunião, na quinta-feira, irá informar a situação de cada uma dessas áreas vistoriadas.
O MST anunciou que não fará manifestações perto da fazenda Córrego da Ponte, da família Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG) pois a avaliação interna do movimento é de que são positivas as negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Os sem-terra promoverão ato público no centro de Buritis contra a impunidade dos acusados pelo massacre em Eldorado do Carajás, contra a corrupção, os alimentos geneticamente modificados e a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Do centro os manifestantes devem sair em marcha rumo a um dos assentamentos da região e lá permanecer mobilizados até quinta-feira, quando está marcada nova reunião do MST com o Incra.
Segundo um dos coordenadores regionais do MST, Augusto Lima, a marcha rumo ao assentamento Nova Esperança é para denunciar o que chamam de corrupção local. Esta marcha é para protestar contra a corrupção na reforma agrária, disse ele. O Incra pagou 500 hectares e lá só existem 250. A estrada que leva ao Nova Esperança fica em direção oposta à estrada que dá acesso à fazenda Córrego da Ponte.
Jurados A juíza Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, sorteou ontem os 21 jurados que irão julgar os 150 policiais militares envolvidos na morte de 19 sem-terra em abril de 1996. Em agosto de 1999, três oficiais da Polícia Militar acusados de comandar a matança dos sem-terra foram absolvidos em tumultuada sessão anulada em março do ano passado pelo TJ paraense.
O novo julgamento está previsto para maio, mas a defesa dos acusados informou que vai ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com efeito suspensivo para impedir a instalação do júri.
O desembargador Otávio Maciel rebateu a acusação de lentidão do processo. E garantiu que até maio todas as pendências sobre o processo já terão sido julgadas.


